"Abril ainda não tem rosto de mulher." Inês de Sousa Real fala de "machismo tóxico"

PAN considera necessário tornar a emancipação feminina "uma realidade".

A deputada única do PAN defendeu, no seu discurso na sessão que assinala a Revolução dos Cravos no parlamento, que é preciso tornar efetiva a emancipação das mulheres, salientando que "Abril ainda não tem rosto de mulher".

"É preciso lutar pelo fim do sexismo e transformar a emancipação feminina em realidade. Só assim a manhã de Abril poderá acordar em plena igualdade e liberdade", defendeu Inês Sousa Real.

Discursando na Assembleia da República, na sessão solene comemorativa dos 48 anos do 25 de Abril de 1974, a porta-voz do Pessoas-Animais-Natureza considerou que "Abril ainda não tem rosto de mulher", salientando que a "desigualdade de género que persiste", apesar "de todos os avanços e conquistas que foram trazidos pela revolução e que romperam como uma ditadura".

E justificou que "Abril ainda não tem rosto de mulher quando a cada dia mais de 50 mulheres são vítimas de violência doméstica", quando Portugal tem "um sistema e uma justiça, marcados por um machismo tóxico, que desculpabiliza sistematicamente o agressor".

"Abril ainda não tem rosto de mulher quando os crimes sexuais não têm um prazo de prescrição capaz de respeitar as emoções e o tempo da vítima ou quando a sua consequência são apenas multas ou penas suspensas", criticou, referindo que ainda existem milhares de vítimas de mutilação genital feminina ou "uma em cada 10 mulheres" não têm dinheiro para comprar produtos de higiene feminina.

A deputada do PAN considerou que "Abril também não tem rosto de mulher quando as mulheres têm de trabalhar mais 51 dias para igualar o salário de um homem" ou "esperar até 2052 para ter igualdade salarial entre géneros".

Lamentando que seja necessário esperar "até 2063 para que os cargos de chefia sejam ocupados por tantas mulheres como por homens", Inês Sousa Real assinalou que dos 230 deputados "apenas 84 são mulheres" e que nunca uma mulher foi eleita Presidente da República, lamentando que "os mais altos cargos do Estado fazem-se sempre com rosto masculino".

No seu discurso a partir do púlpito, perante o Presidente da República, o presidente da Assembleia da República, o primeiro-ministro e membros do Governo, deputados e convidados, Inês Sousa Real apontou igualmente que "depois de uma crise sanitária e socioeconómica, a guerra na Ucrânia" veio lembrar que "os direitos humanos, a paz, a segurança e a democracia não podem ser dados como adquiridos" e que data que hoje se assinala "não é meramente evocativa, aliás, jamais o será".

A deputada única do PAN considerou que Portugal se encontra em "bancarrota climática" e "dá mais dinheiro público para o baronato da caça ou para a tortura e crueldade das touradas do que para o combate ao abandono e aos maus-tratos e proteção e bem-estar animal".

E assinalou que "dois milhões de pessoas vivem em pobreza energética" e "oito mil em situação de sem-abrigo", apontando também a "dificuldade de acesso à habitação por parte dos jovens".

"O mesmo país que tem as mãos largas para financiar os prejuízos da banca e nada faz para impedir a perda de muitos milhares de milhões de euros para os paraísos fiscais ou para a corrupção", criticou ainda.

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