Abusos sexuais na Igreja: Bloco disse a Marcelo que vítimas "não devem ser desvalorizadas"

Catarina Martins aproveitou a audiência em Belém para deixar uma mensagem ao Presidente da República sobre os abusos sexuais na Igreja. Questionada sobre se Marcelo deve um pedido de desculpa às vítimas, a coordenadora do BE respondeu: "Fará o que entender."

O Bloco de Esquerda manifestou esta quarta-feira ao Presidente da República "preocupação" com os casos de abuso sexual na Igreja Católica, defendendo que "todos os órgãos de soberania tenham uma posição de apoio às vítimas e de valorização dos seus testemunhos". Por entender que as declarações do chefe de Estado sobre o tema não foram claras nesse sentido, Catarina Martins decidiu levar o assunto para a audiência em Belém.

"Expressámos ao senhor Presidente da República a nossa preocupação com os casos de abuso sexual na Igreja Católica. Achamos que a comissão tem feito um bom trabalho e que é preciso agradecer, a cada uma das vítimas, a enorme coragem que teve em chegar-se à frente para denunciar abusos que ocorreram durante tantos anos e que vitimizaram tantas pessoas", assinalou Catarina Martins, em declarações aos jornalistas.

"Achamos fundamental que todos os órgãos de soberania tenham uma posição de apoio às vítimas, de valorização dos seus testemunhos e uma exigência para que tenha consequência clara tanto o crime de abuso como quem ocultou e com a sua ocultação permitiu que os abusos se prolongassem", defendeu, reforçando ser "muito importante" que as vítimas saibam que "há um país que admira a sua coragem, que valoriza os seus testemunhos e quer que não fiquem impunes os crimes e a ocultação".

Questionada diretamente se considera que o Presidente da República deve um pedido de desculpas às vítimas, Catarina Martins respondeu que Marcelo "fará o que entender", enfatizando que as vítimas precisam de "justiça" e "não devem nunca ser desvalorizadas".

Na terça-feira, questionado sobre a recolha de 424 testemunhos de abusos sexuais contra crianças na Igreja Católica em Portugal, o Presidente da República afirmou não estar surpreendido, salientou que "não há limite de tempo para estas queixas" que têm estado a ser recolhidas, algumas relativas "há 60 ou há 70 ou há 80 anos".

"Significa que estamos perante um universo de pessoas que se relacionou com a Igreja Católica de milhões ou muitas centenas de milhares", prosseguiu Marcelo Rebelo de Sousa, concluindo: "Haver 400 casos não me parece que seja particularmente elevado, porque noutros países e com horizontes mais pequenos houve milhares de casos".

Face às críticas que estas declarações suscitaram, o chefe de Estado divulgou uma nota na qual afirma que "este número não parece particularmente elevado face à provável triste realidade, quer em Portugal, quer pelo mundo", admitindo que "terá havido também números muito superiores em Portugal".

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