'Algumas coisas têm de estar mal." Montenegro desafia PSD a perceber maioria do PS

Líder social-democrata rejeita colocar nos portugueses o ónus da derrota nas últimas legislativas e pede ao partido que reconheça não estar a conseguir convencer os eleitores.

O presidente eleito do PSD, Luís Montenegro, admitiu esta sexta-feira, face aos resultados das últimas legislativas, que "não são os eleitores que estão errados", mas sim o partido que não está a conseguir convencê-los.

No discurso de arranque do 40.º Congresso do PSD, Montenegro defendeu que para "haver futuro" para o partido é preciso "erradicar uma quase fatalidade".

"O PS governa, desgoverna e desarruma o país e nós vamos lá de fugida pôr ordem na casa e colocar novamente o país no rumo certo", afirmou, identificando ainda António Costa como "um protagonista" que "esteve em todos" os ciclos políticos socialistas.

Para o novo presidente, "algumas coisas têm de estar mal" com o PSD e defendeu ser necessária humildade para "o reconhecer e corrigir".

"Não estou a mandar recados para ninguém, nem quero. Proponho que possamos acertar como ponto de partida o seguinte: não são os eleitores que estão errados, somos nós que não estamos a conseguir convencer", defendeu.

O novo líder do PSD defende que "depois de uma bancarrota e de estarmos a pagar impostos como nunca pagámos", não entende como é que os socialistas "continuam a ganhar eleições".

"Se juntarmos a isto uma taxa de risco de pobreza e baixos salários, a juntar a fraco serviços públicos, como é que continuam a ganhar eleições? Temos de perceber", pede.

Na noite da derrota eleitoral das legislativas de 30 de janeiro, a vice-presidente do PSD Isabel Meirelles considerou que "o que falhou foi o povo português".

"Locomotiva" da proximidade, Montenegro vai passar "uma semana em cada distrito"

Numa posição de clara oposição a essas palavras - mas sem as referir diretamente - Montenegro defendeu que o partido tem de modernizar-se e "estabelecer uma relação de maior afinidade com as pessoas", deixando uma promessa.

"Eu serei a locomotiva dessa relação direta com as populações e os territórios e a partir de setembro passarei todos os meses uma semana num distrito de Portugal. Vou estar em contacto com a realidade económica, institucional, social de todos os distritos do país e das regiões autónomas", assegurou.

Montenegro pediu também o "exemplo" a partir de dentro, arrancando aplausos dos congressistas e propondo uma reforma dos sociais-democratas em que será auxiliado por Paulo Colaço, presidente do Conselho de Jurisdição que vai cessar funções.

Ainda assim, assume que o programa eleitoral de Rui Rio "era um bom programa eleitoral", mas não houve tempo para o apresentar às pessoas.

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