"Alternativa à esquerda." BE critica PS "centrista" e PCP que "legitima" Governo

A moção "Sair da Crise, Atacar a Desigualdade" que Catarina Martins leva à Convenção, agendada para maio, é também assinada por Marisa Matias e pelo líder parlamentar Pedro Filipe Soares.

A referência à chamada "geringonça" surge logo nos parágrafos iniciais dos tópicos da moção, onde o Bloco acusa o PS ter optado por uma via "centrista".

"A experiência da "geringonça", da qual o PS se afastou e que não quis reeditar, mostrou que era possível uma política que valorize salários, pensões e apoios sociais, mas esbarrou nas metas de défice impostas por Bruxelas, aliás ultrapassadas pelo Governo", lê-se no documento a que a TSF teve acesso.

Se em 2019, na moção que a direção levou à Convenção, o Bloco expressava o desejo de ser "força de governo", agora, pelo meio de críticas ao PS (por se ter afastado da geringonça) e ao PCP (por dar conforto ao Governo), o BE assume-se como a "garantia de uma alternativa à esquerda que recusa uma governação que retoma a lógica da austeridade".

Ficam definidas as balizas: a direção do Bloco retoma os temas do último Orçamento de Estado (que chumbou) entre eles, o reforço do SNS e os direitos laborais, junta-lhe o investimento público para o emprego e a transição climática e avisa que será da resposta a essas questões que "se verificarão aproximações ou distanciamentos face ao governo".

Para o Governo do PS segue ainda a crítica de "procurar impor, em cada negociação, uma estratégia de contenção de despesa".

Enquanto critica o alcance da resposta à pandemia, tanto da parte do Governo ("o bom aluno preso aos seus bloqueios") como das instituições europeias, o BE insiste que " nenhum programa de reconstrução terá alcance suficiente se não incluir a reestruturação das dívidas soberanas".

Para o PS, seguem as críticas de ter seguido "uma via centrista" que já falhou noutros países. O Bloco acusa ainda o Governo "ensaiar crises políticas" e de fazer "chantagem" com "a perda do poder para a direita radicalizada".

Na leitura da direção do Bloco, o PS conseguiu "expandir o centro político" com o aval de Marcelo Rebelo de Sousa e o apoio do PCP e do PAN.

"Confortada à direita pelo apoio do Presidente da República e legitimada à esquerda pelo PCP e pelo PAN, a política de débeis paliativos permite ao PS expandir o centro político, que passou a ocupar sozinho desde que o PSD anunciou a sua dependência de uma aliança com a ultra-direita", lê-se na moção.

Olhando para a direita, o Bloco lembra que "continua minoritária no parlamento e no país" e que, por isso, "não existe qualquer fatalidade democrática que atribua à direita radicalizada um destino de poder."

"Pelo contrário, ela pode ser derrotada se a potência das alternativas à esquerda lograr responder à maioria e aos setores mais penalizados na crise", defende o BE.

A pensar nas autárquicas, O Bloco de Esquerda define como objetivo "o aumento e rejuvenescimento da representação nos municípios e freguesias", com listas próprias abertas à participação de candidatos independentes" e sem coligações, seja com os partidos de direita ou com o Partido Socialista".

A moção Sair da Crise, Atacar a Desigualdade" considera que "os acordos celebrados em 2015, entre PS e os partidos à sua esquerda, originaram uma visível descompressão social", mas admite que "o crescimento abrupto do desemprego e da pobreza e o ambiente de receio que a pandemia instalou, associados às dificuldades há muito identificadas no movimento sindical e ao bloqueio pelo PS da recuperação de direitos do trabalho, colocam um cenário extremamente adverso às lutas sociais".

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