"Feminismo bacoco" e "pacóvio machista". Licença menstrual volta a ser chumbada

Apesar do chumbo da licença menstrual, os partidos prometem refletir sobre o assunto. O debate ficou marcado pela troca de acusações entre PAN e Chega.

PorTSF com Lusa

A proposta do PAN para a criação de uma licença menstrual de três dias voltou hoje a ser rejeitada no parlamento, tendo o tema motivado uma troca de acusações acesas entre a deputada Inês Sousa Real e o Chega.

A iniciativa do PAN, que já tinha sido votada na segunda-feira, durante as votações na especialidade da proposta de Orçamento do Estado para 2022 (OE222), foi avocada a plenário e novamente rejeitada com os votos contra do PS, PSD, Chega e IL, tendo obtido os votos favoráveis das restantes bancadas.

Antes da votação, a deputada única do PAN Inês Sousa Real defendeu que "fica nas mãos do Governo" abrir o debate para regulamentar esta matéria, "esperando que a Assembleia da República se coloque "ao lado do direito das mulheres".

Ouça aqui a troca de argumentos.

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A iniciativa do PAN foi saudada pela deputada do BE Joana Mortágua e pelo deputado do Livre Rui Tavares, mas motivou críticas na bancada do Chega, com Rita Matias a considerar que a medida "aumenta o fosso salarial entre as mulheres" e dificulta o acesso ao emprego, acusando Inês Sousa Real de "feminismo bacoco".

Na resposta, a deputada do PAN disse que "ser pacóvio é ser machista", uma acusação que motivou o aplauso da maioria das bancadas e levou o líder parlamentar do Chega, André Ventura, a pedir a defesa da honra e a considerar que "chamar duma deputada de pacóvia não é uma boa linguagem".

Na resposta, Inês Sousa Real, porta-voz do PAN, explicou que se limitou a explicar à deputada do Chega que, "no dicionário, pacóvio é ser machista". E perante a constatação de André Ventura de que o PAN está reduzido a uma deputada, Sousa Real rematou: "Antes ser uma e ter valores que são consentâneos com o século XXI do que continuar a defender a velha máxima de 'Deus, Pátria e Família', do Estado Novo e dos tempos da outra senhora." A frase foi recebida com aplausos de muitos deputados, entre eles os do PS e do Bloco de Esquerda.

Os deputados começaram na segunda-feira a votar, na especialidade, a proposta do OE2022 e as cerca de 1.500 propostas de alteração apresentadas pelos vários partidos.

As votações terminam na sexta-feira, dia da votação final global.

A proposta de OE2022 foi aprovada na generalidade, em 29 de abril, na Assembleia da República, apenas com os votos a favor do PS e abstenções dos deputados únicos do PAN e do Livre.

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