Moedas "exige que seja respeitada a legitimidade" do seu executivo

Carlos Moedas insiste que é necessário acabar com a "política de fricção", garantindo que vai trabalhar para consensos com a oposição.

PorFrancisco Nascimento
© AFP

Com um executivo municipal com cinco forças políticas, e sem maioria absoluta, Carlos Moedas lembrou que "pode e saber fazer compromissos", mas com "direito à legitimidade" da sua equipa e compromissos.

Na tomada de posse como presidente da câmara de Lisboa, e depois de relembrar algumas das medidas que quer implementar na capital, o novo autarca virou-se para os restantes vereadores, alguns que já assumiram que ficam na oposição.

"Tenho a obrigação de respeitar a legitimidade de cada vereador. Mas ao mesmo tempo, tenho o direito de exigir que seja respeitada a legitimidade específica do nosso mandato executivo", atirou.

Carlos Moedas insiste que é necessário acabar com a "política de fricção", garantindo que vai trabalhar para consensos, mas não vai contrariar "princípios fundamentais do programa".

Moedas lembrou, no entanto, que "pode e sabe fazer compromissos" para o bem geral.

<a class="ngx-body-text-entity" href="/entidade/pessoa/moedas.html" text-entity-id="57560" text-entity-type="Person">Moedas</a> elogia <a class="ngx-body-text-entity" href="/entidade/pessoa/medina.html" text-entity-id="59671" text-entity-type="Person">Medina</a>: "passagem digna e democrática"

Carlos Moedas elogiou ainda o papel de Fernando Medina, com um "espírito construtivo" na passagem da pasta de autarca, deixando um agradecimento ao presidente cessante, falando numa "passagem digna e democrática".

O novo presidente lisboeta garante ainda que quer cooperar com o Governo de António Costa, para colaborar "em prol de Lisboa e de Portugal". Assume, no entanto, que Lisboa "terá a sua política e ambição próprias": "Quero Lisboa mais presente nos debates Europeus e globais em áreas como a transição energética, mobilidade sustentável ou ciência e inovação".

Moedas agradeceu aos funcionários da Câmara Municipal de Lisboa, garantindo que estará "sempre ao lado" dos trabalhadores, apesar das resistências à mudança. "Não serei um presidente de gabinetes. Estarei lá fora a ouvir as pessoas e a trabalhar convosco", atirou.

Carlos Moedas salienta que o "poder local muda a vida das pessoas todos os dias", garantindo que "dará tudo como presidente", depois de ter "deixado tudo para ser candidato".

"Passado tem que ser honrado e respeitado." <a class="ngx-body-text-entity" href="/entidade/pessoa/moedas.html" text-entity-id="57560" text-entity-type="Person">Moedas</a> lembra anteriores autarcas

Em tempos de pandemia, Carlos Moedas assume que "é mais urgente do que nunca recuperar os rituais", como a presença física, como acontece na Praça do Município, em Lisboa.

Moedas lembrou a passagem por Bruxelas, onde pediu para colocarem no corredor de acesso ao gabinete a fotografia de todos os anteriores Comissários da Ciência e Inovação.

"Todos os dias, para entrar no gabinete tinha que passar por uma fila de caras que me fixavam o olhar. Era o meu pequeno ritual matinal. Útil para me relembrar que o cargo está acima da pessoa", descreveu.

Carlos Moedas notou que o "passado tem que ser honrado e respeitado", com a passagem de testemunho de Fernando Medina, numa Câmara que antes foi liderada por António Costa, atual primeiro-ministro. Nos últimos 31 anos, o PS governou a Câmara de Lisboa durante 26 anos.

Moedas sublinha que "no futuro", será ele a passar o testemunho, e que a pergunta agora é: "Que cidade queremos deixar como legado?".

"Lisboa tem que ser uma casa em que todos a sintam como sua. Os que cá nasceram e os que vieram depois. É importante combater o que os economistas chamam a "tragédia dos comuns"", disse.

E acrescentou: "As populações não podem ser tratadas como entes abstratos, ouvidos de quatro em quatro anos".

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