"Abaixo do esperado." Eleitores do PS criticam apoios, preferem menos IRS e antecipam penalização das pensões

Na sondagem da Aximage para TSF-JN-DN, 89% dos inquiridos notam o aumento do custo de vida, em especial, nas compras no supermercado. Maioria considera que os apoios ficam aquém das expectativas e apoia um imposto sobre lucros extraordinários (votantes do PS incluídos).

PorJudith Menezes e Sousa
© Paulo Spranger/Global Imagens (arquivo)

Em contramão com os argumentos do primeiro-ministro, em defesa das medidas para mitigar os efeitos da inflação, a maioria dos inquiridos que dizem ter votado no PS em janeiro consideram insuficientes, tanto o valor de 125 euros para quem recebe menos de 2.700 euros brutos, como os 50 euros para crianças e jovens.

Numa sondagem onde quase 90% dos inquiridos notam o aumento do custo de vida, em especial quando vão as compras no supermercado, o sentimento dominante é de que as várias medidas ficam aquém das expectativas.

A insatisfação começa logo em relação aos 125 euros. É a medida que os inquiridos mais recordam, mas 55% consideram que este apoio é inferior ao que esperavam, apenas 18% pensavam receber menos.

© Infografia JN

Aliás, se pudessem escolher, 67% dos inquiridos preferiam pagar menos IRS do que receber este apoio extraordinário. Entre eles estão 64% dos eleitores do PS.

Os 50 euros para apoiar crianças e jovens também são considerados insuficientes por 54% dos inquiridos, contra os 16% que pensam que o valor está acima do esperado.

A segunda medida mais apontada, a meia pensão paga em outubro, é vista como negativa por 61% que consideram que está no horizonte uma penalização das pensões futuras. Só 23% consideram que esta meia pensão vai ajudar agora e acreditam que não vai trazer penalizações futuras.

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Pela análise desta sondagem, fica claro que não colhem os argumentos do governo de que estes apoios estão no limite da capacidade do Estado. Quase metade dos inquiridos (48%) discorda, apenas 24% concordam. Entre quem votou no PS, mais de metade, 52% antecipam que, no futuro, as pensões vão ser penalizadas.

Os inquiridos mostram-se, ainda, céticos perante o argumento de que a margem é curta para aumentos muito além dos 2%. 46% discordam, 26% concordam. Aqui o voto socialista surge dividido entre quem concorda com o argumento (42%) e quem discorda (37%).

Questionados sobre o custo de vida, 89% dizem que está acima dos valores de há um ano e são quase os mesmos (80%) que antecipam que para o ano ainda estará ainda mais alto.

© Infografia JN

Quando se pergunta onde sentem mais os efeitos da inflação, 89% referem as compras no supermercado, 60 % apontam os combustíveis e 25% a luz e o gás. Comparando regiões, em Lisboa e no sul do país existem mais queixas sobre os preços do supermercado, enquanto a norte é referido o custo dos combustíveis.

E deve ou não haver um imposto sobre os chamados lucros extraordinários? A maioria (66%) responde que sim e, entre eles, o apoio dos votantes no PS passa os 80%.

Ficha técnica

A sondagem foi realizada pela Aximage para a TSF, JN e DN com o objetivo de avaliar a opinião dos Portugueses sobre temas relacionados com a situação económica do país e os apoios anunciados pelo Governo. O trabalho de campo decorreu entre os dias 21 e 24 de setembro. Foram recolhidas 810 entrevistas entre maiores de dezoito anos residentes em Portugal. Foi feita uma amostragem por quotas, com sexo, idade e região, a partir do universo conhecido, reequilibrada por sexo e escolaridade. À amostra de entrevistas, corresponde um grau de confiança de 95% com uma margem de erro de 3,45%. A responsabilidade do estudo é da Aximage Comunicação e Imagem Lda., sob a direção técnica de Ana Carla Basílio

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