Apostas de Moedas. "Redesenhar ciclovias", reduzir impostos e investir nos transportes públicos

Carlos Moedas quer uma "cidade fiscalmente amigável", admitindo que os efeitos da crise vão persistir.

PorFrancisco Nascimento
© António Cotrim/Lusa

O novo presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, tomou posse assegurando três eixos fundamentais para a cidade de Lisboa: redesenhar ciclovias, gratuitidade dos transportes públicos para os jovens e reduzir os impostos, em tempo de crise pandémica.

O autarca insiste no estacionamento acessível, mas também em redesenhar as ciclovias da cidade, uma gestão polémica de Fernando Medina. "Queremos aumentar a circulação em bicicletas, mas de uma forma que seja segura e equilibrada", sustentou.

Os transportes públicos serão uma aposta para "mais e mais pessoas a optar de forma natural pelos transportes coletivos e sustentáveis". Moedas lembrou que, já durante a campanha eleitoral, anunciou a gratuidade dos transportes gratuitos para os mais novos e para os idosos, "que tanto precisam".

Moedas quer uma cidade verde, e lembra que "enquanto Comissário lançou inúmeras iniciativas nesta área": "Uma das missões em curso é precisamente a de ajudar as cidades a ser neutras do ponto de vista de emissões de CO2".

Moedas anunciou ainda que vai assumir o pelouro da transição energética e alterações climáticas.

Moedas quer uma "cidade fiscalmente amigável"

Embora lembre que "estamos a sair do período mais crítico" da pandemia, o novo presidente assumiu que "o legado da crise vai permanecer".

É necessário, por isso, apoiar os comerciantes, empresas e os lisboetas, principalmente com redução de impostos. "Vejo a redução de impostos municipais como progressiva e regular até criar uma linha constante: Lisboa cidade fiscalmente amigável", apontou.

Moedas quer criar "uma verdadeira fábrica de empresas em Lisboa", para criar empregos para que "os jovens possam ser felizes em Lisboa". "É para essa geração que falo", disse.

Carlos Moedas notou que o concelho "tem que promover o crescimento", assegurando "que nenhuma família fica para trás".

E acrescentou: "Uma comunidade saudável cuida dos mais frágeis. É por isso que lançaremos um plano de acesso à saúde para os lisboetas com mais de 65 anos, que são carenciados e que hoje, em muitos casos, não têm médico de família".

Moedas diz que o seu Executivo terá várias iniciativas para apoiar as pessoas em situação de sem-abrigo, para "uma cidade que cuida", também em matéria de apoio aos doentes.

Sobre a habitação, um dos temas mais polémicos da campanha eleitoral, Carlos Moedas diz que quer reconverter de forma urgente o património municipal devoluto. "Temos que reconverter para habitar e ajudar os jovens na compra da sua primeira casa", acrescenta.

"Os lisboetas têm que ser os primeiros a fiscalizar o que fazemos", diz, assumindo que a redução da burocracia "é o melhor remédio" para os atrasos e corrupção.

"Populações não podem ser tratadas como entes abstratos"

Carlos Moedas acrescentou que "as populações não podem ser tratadas como entes abstratos, ouvidos de quatro em quatro anos", anunciando a criação de uma Assembleia de Cidadãos que reunirá várias vezes por ano.

O autarca empossado diz que quer a comunidade mais envolvida na governação do concelho. "Se os políticos confiarem mais e envolverem mais os cidadãos, serão surpreendidos pela capacidade da comunidade em cuidar e preservar o seu espaço comum", diz.

Carlos Moedas salienta que "as soluções que realmente geram prosperidade têm que vir de baixo para cima e não de cima para baixo".

"Eu acredito que é preciso toda uma comunidade para gerir e imaginar uma cidade", insiste.

O autarca diz ainda que é necessária uma "atenção especial" para a segurança da cidade. "A segurança começa com passeios, com pessoas a circular, com comércio local de portas abertas. Mas passa também pelo policiamento de proximidade e pela valorização das nossas forças policiais", afirma.

Moedas lembra ainda o papel da cultura na capital, lembrando que quer um teatro em cada freguesia, "para ilustrar a importância de haver espaços de cultura descentralizados e perto das pessoas".

"Espaços de liberdade, de experimentação, mas também de celebração das tradições culturais de Lisboa", acrescentou.

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