Cimeira Social da UE "foi um equívoco em muitas áreas"

Jerónimo de Sousa lamenta que os líderes europeus tenham abdicado da erradicação da pobreza e da política de pleno emprego.

PorLusa
© Lusa (arquivo)

O secretário-geral do Partido Comunista Português (PCP), Jerónimo de Sousa, apontou este domingo que a Cimeira Social da União Europeia (UE) "foi um equívoco em muitas áreas", tendo abdicado da erradicação da pobreza e da política de pleno emprego.

O líder comunista falava aos jornalistas à margem da evocação e homenagem ao centenário do nascimento do general Vasco Gonçalves, realizado na Voz do Operário, em Lisboa, com organização da Associação Conquistas da Revolução (ACR).

"Aquela cimeira foi um equívoco em muitas áreas. A União Europeia abdicou de dois elementos que faziam parte do seu projeto de integração, que eram erradicar a pobreza na União Europeia e uma política de pleno emprego neste espaço comunitário. Consultem os documentos e estes dois objetivos desapareceram", afirmou.

Jerónimo de Sousa considerou que a União Europeia "reconhece que vai haver retrocesso individual, particularmente na chaga da pobreza, que abrange 90 milhões de cidadãos da União Europeia", com algumas das medidas referidas a poderem ajudar entre "15 a 17 milhões de pessoas a encontrar emprego", o que, "num quadro de 90 milhões, tem significado".

"Esta cimeira não tem uma palavra para a precariedade, particularmente no trabalho e nas novas gerações, que sentem hoje o que é a dificuldade de encontrar um posto de trabalho efetivo. Independentemente das suas dificuldades, conhecem o trabalho temporário, à hora ou à peça, às vezes até em situações piores que isso, preocupa-me designadamente", disse.

Em relação a esta política de pleno emprego, o dirigente comunista realçou a existência de jovens "a trabalharem 10, 12 ou 13 horas sem a devida compensação, sem nenhum direito a não ser receber um pequeno salário", vincando: "Estamos a falar de coisas concretas e a falta de respostas concretas é que marcou aquela cimeira que devia ser para discutir o pilar social".

Se a situação na União Europeia são "sintomas de uma crise estrutural, que não resolveu os seus problemas, que se agudizam em diversos níveis, mas particularmente em relação às políticas", Jerónimo de Sousa constatou existirem problemas "a que não foram dadas respostas", sobretudo em relação ao Orçamento do Estado (OE) para 2021.

"Continua a faltar o compromisso que o Governo assumiu em relação a muitas propostas do PCP, que, particularmente no plano social, visava fazer um processo de progresso. Não temos encontrado essa vontade política em algumas áreas e consideramos que, quando se coloca o posicionamento do PCP, não admitimos pressões e chantagens de supostas crises", frisou.

Assim, a 'batalha' imediata do PCP passa por "exigir a concretização do que foi acordado e aprovado na proposta do OE", o que ainda não se verifica "em muitas das matérias".

Sobre a homenagem ao general Vasco Gonçalves, que morreu em 2005 aos 83 anos e foi chefe dos II, III, IV e V Governos Provisórios, entre 18 de julho de 1974 e 10 de setembro de 1975, num período que ficou conhecido por "gonçalvismo" e ficou marcado principalmente pelo combate aos monopólios e aos latifúndios, Jerónimo de Sousa manifestou a sua "admiração profunda".

"Houve avanços significativos nas medidas que tomou durante esses Governos Provisórios, conquistas importantíssimas no plano social que marcaram o percurso deste homem. As coisas mudaram, houve alterações de posicionamentos, mas não apaga o significado deste homem, pelo seu amor à sua pátria, povo e, particularmente aos trabalhadores", referiu.

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