Costa atira-se a "asneiras e disparates" da Galp e quer "lição exemplar"

Embora admita que "nada tem contra a empresa", Costa pede lição pelo encerramento de refinaria que atirou trabalhadores para o desemprego.

PorFrancisco Nascimento
© Estela Silva/Lusa

António Costa aproveitou a campanha eleitoral para falar sobre o encerramento da refinaria da Galp em Matosinhos, afirmando que "era difícil imaginar tanta asneira e disparate", e pedindo uma "lição exemplar" para a empresa que despediu 1600 trabalhadores.

Numa ação de campanha em Matosinhos, o secretário-geral do PS e primeiro-ministro apontou "falta de consciência social e irresponsabilidade", lembrando que as empresas que estão a encerrar as centrais a carvão asseguram, ao mesmo tempo, os postos de trabalho com "requalificação e novas oportunidades".

"Era difícil imaginar tanto disparate, tanta asneira, tanta insensibilidade, tanta irresponsabilidade, tanta falta de solidariedade como aquela que a Galp deu provas aqui em Matosinhos", atirou.

Embora admita que "nada tem contra a empresa", Costa admitiu que empresa tem que "levar uma lição" para memória futura. "Neste processo de transição, temos de ser exemplares. Quem se porta assim, tem que levar uma lição, para ser exemplo para as empresas que vão enfrentar processos idênticos na transição energética", disse.

António Costa lembrou ainda que "a Galp começou por revelar total insensibilidade social ao escolher o dia 20 de dezembro, a cinco dias do Natal, para anunciar aos seus trabalhadores que iria encerrar a refinaria de Matosinhos".

Na opinião do primeiro-ministro, a Galp "não revelou a menor consciência que uma empresa daquela dimensão tem com o território onde está instalada", sem negociar com a autarquia e o Estado o encerramento da refinaria.

António Costa prometeu ainda trabalhar com a autarquia para que os terrenos ocupados pela refinaria sejam utilizados para desenvolver "a economia e o progresso de Matosinhos".

A atual presidente da câmara de Matosinhos e recandidata pelo PS assumiu que "há fundos de transição", deixando uma "mensagem de confiança" para os trabalhadores. "Os socialistas portugueses vão mostrar como se pode ajudar as pessoas que contribuíram com o seu esforço para a sustentabilidade energética", disse.

A Galp desligou a última unidade de produção da refinaria de Matosinhos em 30 de abril, na sequência da decisão de concentrar as operações em Sines.

A petrolífera justificou a "decisão complexa" de encerramento da refinaria com base numa avaliação do contexto europeu e mundial da refinação, bem como nos desafios de sustentabilidade, a que se juntaram as características das instalações.

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