Críticos de Inês Sousa Real querem "mudança de política" e preparam corrente interna

Opositores da atual liderança preparam terreno para defrontar Inês Sousa Real no próximo congresso, que deverá ocorrer em meados do próximo ano.

PorMelissa Lopes
© Leonardo Negrão / Global Imagens (arquivo)

O grupo de militantes do PAN que lançou um manifesto para forçar a realização de um congresso extraordinário, depois dos resultados eleitorais de 30 de janeiro que reduziram a bancada a uma só deputada, deu por terminada, sem sucesso, a recolha de assinaturas e concentra-se agora na preparação de uma corrente interna.

Numa nota a que a TSF teve acesso, os opositores da atual liderança referem que foram recolhidas "mais de metade das assinaturas necessárias" à convocação do congresso extraordinário que teria como objetivo a "legitimação política dos órgãos nacionais do partido". A iniciativa, sublinham, "foi feita ao abrigo dos seus estatutos".

No entanto, acusam a direção "de falta de colaboração" ao ter recusado dar "conhecimento da iniciativa a todos os filiados através dos canais internos de comunicação, impedindo desta forma a recolha das assinaturas necessárias". O que, no entender dos promotores da iniciativa, configura uma "violação do direito do filiado em ser informado sobre factos relevantes da vida interna do partido, direito esse expressamente previsto nos estatutos do PAN".

Enquanto decorria a recolha de assinaturas por parte dos críticos, a direção do PAN iniciava um processo de auscultação das bases, "supostamente com o intuito de consultar os filiados sobre a necessidade de um congresso extraordinário", processo que "não tem estado isento de críticas pela falta de transparência e demora na apresentação dos resultados", queixam-se. Isto porque, tendo a auscultação terminado em junho, os resultados "ainda não foram comunicados aos filiados".

Perante a "ausência de apresentação dos resultados da auscultação da direção do partido aos filiados" e "as múltiplas manifestações de apoio de filiados e simpatizantes ao manifesto, e à contínua adesão de novos elementos que pretendem uma mudança de política no partido, este coletivo de filiados encontra-se já a preparar uma corrente política interna que vai ao encontro dos valores do PAN e das necessidades do país", justifica o coletivo de filiados pelo congresso extraordinário eletivo.

No rescaldo dos resultados das legislativas, e depois de a direção do partido ter remetido uma decisão sobre a convocação de congresso extraordinário depois de auscultar as bases, vários elementos da comissão política nacional do PAN demitiram-se em bloco, queixando-se de "asfixia democrática interna".

Entre os demissionários do órgão máximo do partido entre congressos estavam o porta-voz regional e deputado à Assembleia da Região Autónoma dos Açores, Pedro Neves; o porta-voz regional e cabeça de lista pela Região Autónoma da Madeira, Joaquim de Sousa; o então deputado à Assembleia da República e, na altura, membro da comissão distrital de Lisboa Nelson Silva e vários representantes e membros de comissões distritais e regionais, entre os quais Paulo Baptista e Ricardo Cândido, de Faro, Sónia Domingos, dos Açores, Vítor Pinto, de Setúbal, Carolina Almeida, de Viseu, Fábio João, de Castelo Branco, e o membro da mesa da direção Jorge Alcobia.

Mas as críticas mais severas vieram de André Silva. O antigo porta-voz do PAN, que entregara o testemunho a Sousa Real na reunião magna de junho de 2021 (remetendo-se ao silêncio desde então), acusou o partido de seguir uma postura "errática" e de se ter tornado um "afilhado" do PS.

O antigo deputado apontou que a queda eleitoral do partido nas urnas deveu-se sobretudo "a causas internas e inteligíveis" e manifestou-se disponível para ajudar o PAN "a reposicionar-se e a reconquistar a credibilidade e a voz política que já teve, caso os filiados decidam por outra liderança"

Na resposta, Sousa Real referiu-se a um ataque "concertado" e a "oportunismo" da parte do antecessor.

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