De "partido do Twitter" a "chave" de Governo. IL quer eleger três a oito deputados

A moção de estratégia global que João Cotrim de Figueiredo leva à convenção do próximo fim de semana admite acordo escrito para viabilizar uma solução sem o Chega. IL quer eleger em Lisboa, Porto, Braga, Setúbal e Aveiro.

PorJudith Menezes e Sousa
© Leonardo Negrão/Global Imagens

Com o exemplo dos Açores em mente, a moção "Preparados Liberalizar Portugal 2022", que tem como primeiro subscritor João Cotrim Figueiredo, adianta que a Iniciativa Liberal (IL) tem de estar preparada para influenciar a política, ou soluções de governo"mas também para "ser determinante na geometria do poder" e "no limite, para assumir funções no executivo da República."

Na moção "Preparados Liberalizar Portugal 2022", a que a TSF teve acesso, o partido ambiciona ser "a chave de uma solução de Governo alternativa à do Partido Socialista," seja através "da integração de um Governo de coligação com forças políticas não socialistas e não-populistas, desde que o respetivo programa assuma um cariz reformista e contenha um conjunto significativo de medidas liberais" ou, em alternativa, "da viabilização parlamentar de um Governo não-socialista, mediante acordo escrito que preveja a adoção, durante a legislatura, de um conjunto de reformas e medidas liberais".

Se nenhuma destes cenários se concretizar, a IL tenciona "prosseguir o seu papel de oposição".

Na moção que é levada à convenção do próximo fim de semana, a palavra que se destaca é "preparados".

Os liberais pretendem evoluir de um "partido do Twitter e dos cartazes" para um partido responsável que pode ser charneira" e fixam metas eleitorais: querem obter 4,5% dos votos a nível nacional, eleger 5 deputados, nos distritos de Lisboa e Porto e com possibilidades também em Braga, Setúbal e Aveiro. Qualitativamente, isto implicaria "passar de Deputado Único para Grupo Parlamentar aumentando fortemente o impacto político da Iniciativa Liberal dentro e fora do Parlamento."

Com a consciência de que "muito dificilmente" elege em círculos pequenos ou médios que elejam menos de até 10 deputados", a IL acredita numa "faixa de resultados" que preveem a eleição de entre 3 a 8 deputados.

Entre as linhas vermelhas está a recusa, em qualquer das eleições de "quaisquer acordos escritos ou verbais, pré ou pós-eleitorais com o Partido Socialista, o Bloco de Esquerda, o Partido Comunista Português ou o Chega."

Apostado em atrair independentes, a Iniciativa Liberal diz rejeitar "os vícios de outros aparelhos partidários como as distritais, as juventudes partidárias, as facões ou tendências organizadas, o caciquismo e os barões, que conduzem inevitavelmente a partidos bloqueados por um aparelho incrustado que falham na sua missão perante o país"

Talvez em jeito de recado interno, a moção avisa que "o partido não pode ser um one-stop-shop para tudo no liberalismo" e que, sendo os recursos escassos, "tentar fazer tudo só pode resultar em muita coisa feita pela rama, e conduzir à irrelevância."

"É essencial que o partido saiba rejeitar o mission creep, recusar as tentações da dispersão. O Partido não é um think tank, um grupo de debate, um reddit de propostas, uma barriga de aluguer para todo o tipo de experiências. Tem de ser uma organização eficiente e disciplinada, orientada para uma aspiração comum que ultrapassa interesses meramente partidários", lê-se na moção.

Sobre os próximos tempos, a IL não exclui a "possibilidade de poderem vir a ocorrer outros atos eleitorais antecipados face ao que seria o seu calendário normal".

Ao nível interno, e em jeito de balanço, a moção admite que "a Comissão Executiva não foi imune às profundas alterações das rotinas quotidianas nestes últimos dois anos".

"Ficaram objetivos por atingir, sobretudo na frente interna e de organização do partido. Ao mesmo tempo, há que reconhecer que fomos capazes de superar grandes desafios estratégicos e organizativos que a situação atípica nos impôs, o que só foi possível pelo trabalho incansável de muitos membros dos órgãos do partido e fora deles.

Para a atual direção "a parte mais visível dessa evolução é a renovação de quase metade dos candidatos a integrar a Comissão Executiva" que com Cotrim de Figueiredo subscrevem a moção "Preparados Liberalizar Portugal 2022".

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