"É hora de resgatarmos os nossos heróis." Pela mão de Joacine e "apesar da resistência", Aristides é eternizado

Aristides de Sousa Mendes tentou falar com os deputados, mas não foi ouvido. Agora é o Parlamento que lhe concede honras de Panteão.

PorFrancisco Nascimento
© Tiago Petinga/Lusa

Joacine Katar Moreira deu o pontapé de saída para que Aristides de Sousa Mendes seja imortalizado no Panteão Nacional. Um "herói que desobedeceu a Salazar, para obedecer à humanidade", e que vê agora reconhecida honras de panteão, 80 anos depois de dar vistos a quem fugia das tropas de Hitler para escapar aos campos de concentração.

A deputada não-inscrita, responsável pela criação do grupo de trabalho que concedeu honras de Panteão ao antigo cônsul português, pede, em entrevista à TSF, que este seja o início de uma nova página na história de Portugal.

"Eu tive contacto com a história, figura e obra de Aristides de Sousa Mendes, mas pela internet. Pelas minhas pesquisas individuais. É exatamente esse o objetivo número um, com esta iniciativa: o reconhecimento", explica.

Aristides de Sousa Mendes tentou falar com os deputados, para explicar a sua ação, mas não foi ouvido. Agora é o Parlamento que lhe reconhece o mérito.

Joacine Katar Moreira diz que é necessário reparar as injustiças da época, com "alguém que obedeceu, o que lhe originou imensas dificuldades".

"Aristides faleceu sem nada, miseravelmente. Era necessária esta reparação", assume.

Uma reparação que acontece oito décadas depois, mesmo com 47 anos em democracia, porque "houve imensa resistência em se aceitar e valorizar uma atitude de um homem que ousou desafiar o regime".

E em Portugal, sublinha a deputada, há mais exemplos de combate ao fascismo, além do 25 de Abril. "Uns mais óbvios, outros menos óbvios. Outros mais reconhecidos. Mas esta é a época. Especialmente numa época em que estamos a viver o impacto do surgimento de ideologias ultraconservadoras e racistas. Esta é hora de resgatarmos os nossos heróis, e de ensinarmos a história", aponta.

Joacine Katar Moreira assuma que esta é uma história que merece ser dada nas salas de aula, para valorizar os heróis da época, e para que os jovens saibam que o combate ao fascismo em Portugal foi mais do que o 25 de Abril.

O corpo de Aristides de Sousa Mendes vai continuar no Concelho de Carregal do Sal, em Viseu, preservando a importância cultural e económica que a presença do corpo tem no turismo da região. No Panteão Nacional, de forma a homenagear o antigo cônsul português vai estar um túmulo sem corpo.

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