João Paulo Batalha diz que contratação de Sérgio Figueiredo é "troca de simpatias" com Medina

Em declarações à TSF, o dirigente da Associação Frente Cívica, João Paulo Batalha, defende que a forma como Sérgio Figueiredo foi contratado afasta qualquer possibilidade de escrutínio da capacidade de o antigo jornalista para avaliar políticas públicas.

PorDavid Alvito com Clara Maria Oliveira e Lusa
© D.R (arquivo)

João Paulo Batalha, dirigente da Associação Frente Cívica, considera que a contratação do antigo jornalista Sérgio Figueiredo para o gabinete do ministro das Finanças não passa de uma troca de favores.

Em declarações à TSF, o diretor fala de uma "troca de simpatias" entre duas pessoas que se dão muito bem e defende que a forma como Sérgio Figueiredo foi contratado afasta qualquer possibilidade de escrutínio da capacidade do antigo jornalista para avaliar políticas públicas.

"É preciso perceber se as pessoas que estão a ser pagas com dinheiro dos contribuintes têm currículo e competências para o trabalho"

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"É preciso perceber se as pessoas que estão a ser pagas com dinheiro dos contribuintes têm currículo e competências para fazer o trabalho que lhes está atribuído", considera, mas, no caso da contratação do jornalista, "permite deliberadamente esconder esse currículo, porque se estivesse a ser contratado para assessor do Gabinete do Ministro, o currículo teria de ser publicado e seria interessante perceber como é que o Governo justificaria" a escolha.

João Paulo Batalha lembra que Fernando Medina foi comentador da TVI quando Sérgio Figueiredo era diretor de informação na televisão de Queluz. O dirigente da Frente Cívica não tem dúvidas em falar de "troca de simpatias" entre ambos.

Para João Paulo Batalha, a contratação de Sérgio Figueiredo foi "uma troca de simpatias"

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"Dá ideia que Sérgio Figueiredo vai estar contratado com ordenado equiparado ao de ministro para garantir que Medina seja minimamente popular, o que é difícil no Ministério das Finanças", explica, com o objetivo de, na sua opinião, o atual ministro suceder a António Costa como primeiro-ministro, como já foi na Câmara de Lisboa.

O dirigente da Associação Frente Cívica, João Paulo Batalha, atribui ainda um significado claro ao facto de o antigo jornalista e ex-administrador da Fundação EDP ir receber o mesmo que o ministro, porque "mostra que Medina o quer elevar a uma pessoa com enorme relevância no seu gabinete".

Contratação de Sérgio Figueiredo foi mostra que Medina vai o tornar uma pessoa "enorme relevância no seu gabinete"

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A TSF tem tentado contactar Sérgio Figueiredo, mas sem sucesso. Esta segunda-feira à noite, o ministério das Finanças confirmou a contratação do antigo jornalista por ajuste direto e com um salário base equivalente ao de Fernando Medina, tal como, de resto, já tinha referido ao jornal Público, que avançou a notícia.

De acordo com o diário, o contrato com o ex-jornalista foi consumado por ajuste direto e tem a validade de dois anos. Nesse prazo, Sérgio Figueiredo terá um ordenado equiparado ao salário mensal base ilíquido dos ministros, isto é, de 4767 euros. O contrato ainda não foi publicado no portal Base.

O ministério liderado por Fernando Medina, em resposta ao Público, confirmou que "contratou os serviços de Sérgio Paulo Jacob Figueiredo para prestar serviços de consultoria no desenho, implementação e acompanhamento de políticas públicas, incluindo a auscultação de partes interessadas na economia portuguesa e a avaliação e monitorização dessas mesmas políticas".

Sérgio Figueiredo foi jornalista de economia desde os anos 90 e foi diretor do Diário Económico (1996-2001) e do Jornal de Negócios (2002-2007). Teve um programa sobre economia na RTP2, fazendo comentário televisivo. Em 2007 saltou para a Fundação EDP até 2014, tendo acumulado o cargo de administrador da EDP Produção nos últimos dois anos. Entre 2015 e 2020 foi diretor de informação da TVI.

<strong>"Só fica mal" a Sérgio Figueiredo</strong>

O deputado Duarte Pacheco diz que o PSD entende este episódio como mais um capítulo da relação promíscua que diz existir entre o governo e o PS, num caso de "defendem-me hoje e eu trato da tua vida amanhã".

Duarte Pacheco fala da "promiscuidade" entre o Governo e o PS

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Na opinião do social-democrata, que conhece o jornalista pessoalmente, "só fica mal" a Sérgio Figueiredo ter aceitado o convite para o gabinete do ministro das Finanças.

Sobre o convite, para Duarte Pacheco "não é de estranhar porque o Governo de António Costa só se preocupou, desde o início, com o problema da comunicação", considera.

Também o Bloco de Esquerda criticou a contratação pelo ministério das Finanças do ex-administrador da Fundação EDP Sérgio Figueiredo, considerando que as escolhas públicas "não podem estar reféns de redes de amigos" ou do "pagamento de favores".

Numa publicação na rede social Twitter, o líder parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), Pedro Filipe Soares, considerou que "a contratação de Sérgio Figueiredo é absolutamente criticável", acusando o ministro das Finanças, Fernando Medina, de "pagar uma avença ao amigo que já lha pagou na TVI", em referência ao facto de Medina ter sido comentador do canal televisivo TVI24 e, depois, CNN Portugal entre 2015 e 2022, coincidindo com o período em que Sérgio Figueiredo foi diretor de informação do canal televisivo (2015-2020).

"As escolhas públicas não podem estar reféns de redes de amigos ou do pagamento de favores. Mais um exemplo do pântano das maiorias absolutas", frisa o líder parlamentar do BE.

Para Pedro Filipe Soares, a contratação de Sérgio Figueiredo "é também exemplo de como o Governo escolhe pagar bem a subserviência e a lealdade política, enquanto rejeita valorizar a competência e a idoneidade" na administração pública.

"São as marcas de um partido que se confunde com o Estado: não quer bons trabalhadores, prefere 'boys' e 'girls'", sublinhou.

notícia atualizada às 14h52

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