Novo aeroporto. Marcelo assinala que portugueses esperam decisão "rápida, consensual e consistente"

Presidente da República pede uma decisão "clara", de modo a que os "portugueses digam que é para levar a sério".

PorMelissa Lopes
© Gonçalo Delgado/Global Imagens

O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, definiu esta quinta-feira "três condições" sobre a escolha da nova solução aeroportuária. Depois de o ministro das Infraestruturas, Pedro Nuno Santos, ter assumido o "erro de comunicação" e de o primeiro-ministro, António Costa, ter dito que "o erro grave" foi prontamente resolvido, Marcelo Rebelo de Sousa pediu que seja encontrada uma solução "relativamente rápida, consensual e consistente", entendendo que é isso que "os portugueses esperam". ​

Numa curta declaração, no Palácio de Belém, o chefe de Estado assinalou que a decisão tem de ser tomada de forma "relativamente rápida" por se tratar de uma "matéria urgente" e, lembrando que o primeiro-ministro "prometeu que [a escolha] iria ser consensual", pediu que esse compromisso seja levado à letra: "Tem de ser feito tudo o que é necessário para ser consensual", uma vez que em causa está uma "decisão para décadas", afirmou.

Para Marcelo, a opção que vier a ser tomada "tem que ser consistente do ponto vista político, técnico, económico e do direito". Além disso, exige-se uma decisão que seja "clara", de modo a que "os portugueses digam que é para levar a sério".

Ouça o comentário do diretor da TSF e comentador de Política, Domingos de Andrade, às palavras do Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa

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Na declaração do Presidente, que encerra a polémica que durou 24 horas, Marcelo deixou ainda um recado a António Costa, frisando que a responsabilidade pelas decisões tomadas é do Governo, que "foi mandatado pelos portugueses há três meses", e que é o primeiro-ministro quem escolhe os seus ministros. Assim sendo, é ao primeiro-ministro a quem cabe a responsabilidade de "ver se são os melhores para terem êxito". Para o Presidente, o chefe do Governo é "responsável" pelas escolha feitas pelos membros da sua equipa, sejam elas "mais ou menos felizes".

A polémica em torno do ministro Pedro Nuno Santos começou quando, esta quarta-feira, o Governo decidiu avançar com uma nova solução aeroportuária para Lisboa, que passava por avançar com o Montijo para estar em atividade no final de 2026 e Alcochete e, quando este estivesse operacional, fechar o aeroporto Humberto Delgado.

Segundo o despacho do Ministério das Infraestruturas, agora revogado, o plano passava por acelerar a construção do aeroporto do Montijo, uma solução provisória para responder ao aumento da procura em Lisboa, complementar ao aeroporto Humberto Delgado, até à concretização do aeroporto em Alcochete, apontada para 2035. A decisão tinha sido tomada sem que o Governo tivesse discutido o assunto com o líder eleito do PSD, Luís Montenegro, como António Costa definira, e sem o conhecimento do Presidente da República.

No entanto, menos de 24 horas depois do anúncio, o primeiro-ministro determinou a revogação do despacho sobre a solução aeroportuária para a região de Lisboa e reafirmou querer uma negociação e consenso com a oposição sobre esta matéria.

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