O PSD que se cuide e "porta da rua é serventia da casa"

Em dia de eleições diretas no PSD, o Chega, no seu quarto congresso nacional, quis deixar uma mensagem ao maior partido da oposição. Pela voz do coordenador do setor da economia do partido, Pedro Arroja, o Chega apela a que os sociais-democratas escolham bem e que não percam tempo, pois vão tomar de assalto o segundo maior partido do país.

PorMiguel Midões
© Pedro Granadeiro/Global Imagens (arquivo)

A tarde anunciava-se de propostas dos congressistas do Chega para a condução política do partido. Propostas poucas, mas críticas muitas, quer ao governo, quer ao segundo maior partido, o PSD, a quem o Chega promete roubar o lugar. "Para os militantes desse partido que começaram a escolher o seu líder: escolham bem, mas não percam muito tempo porque o lugar do segundo maior partido do país será nosso", atirou Pedro Arroja.

Antes da mensagem ao PSD, Pedro Arroja criticou a "subsidiodependência que encoraja as pessoas a não trabalhar", o andar de mão estendida à Europa desde 1986 ("como têm feito os sucessivos governos de PS e PSD") "passando a imagem de que somos uns miseráveis", e aquilo a que chama de péssima gestão em tempos de democracia, chegando mesmo a fazer alusão de que nos tempos da ditadura é que era e ao livro que Mário Soares escreveu em 1972 e que dava conta de um país "amordaçado".

A pergunta que se impõe responder é feita pelo próprio congressista: "O que o Chega fará de diferente." Nas respostas, por vezes vagas e pouco diretas, o partido quer "governar Portugal como os portugueses de bem governam as suas próprias famílias". A ideia é vaga, porque a definição de "portugueses de bem" é dúbia. O que são portugueses de bem? Convinha explicar a expressão tantas vezes utilizada, até porque o mesmo congressista quer também que o Estado seja "uma pessoa de bem" e que "cumpra o que diz". Estado este que é um "monstro" e que tem "a quarta maior dívida pública do mundo".

Entre outros, Pedro Arroja defendeu o fim dos escalões do IRS e a aplicação de taxa única para todos, dizendo que, com o Chega, "o dinheiro será afetado às necessidades verdadeiramente importantes". Faltou uma vez mais foi concretizar. Afetado a quais necessidades? E o que é verdadeiramente importante?

Já antes Jerónimo Fernandes tinha tentado para o setor da saúde cumprir o que prometera: apresentar propostas muito concretas, só que não aconteceu.

Ao contrário do que fez Pedro Borges Lemos para a justiça. De novo, o Chega a insistir no regresso da prisão perpétua, que embrulhou com a necessidade de "combater a corrupção de frente" e acabar com um "sistema de justiça vendido ao sistema político".

E para reforçar o argumento de que noutros tempos é que era bom, Joaquim Carvalho defendeu para o mundo rural, o regresso a uma agricultura familiar. É uma das três prioridades do Chega para o setor agrícola.

A fechar uma primeira parte de comunicações sobre a política do partido e as ideias que se anteveem para a próxima campanha eleitoral, esteve Bruno Nunes da Comissão Autárquica Nacional, que deixou claro que "este partido tem um líder, que se chama André Ventura, e quem não entender isso, seja nas autarquias, seja onde for, porta da rua é serventia da casa". Um claro convite à saída de todos aqueles que possam ousar fazer oposição interna a André Ventura, atual presidente do partido.

Ouça a reportagem de Miguel Midões.

Your browser doesn’t support HTML5 audio

<strong>Açores: Lá no "meu castelo" manda o mesmo</strong>

O deputado do Chega nos Açores, que gostava de ter vindo para Viseu numa "caravela com a cruz de cristo estampada", mas que acabou por optar pelo avião, subiu à tribuna para garantir que o voto favorável ao orçamento regional aconteceu porque o PSD cedeu em tudo quanto o Chega exigiu.

"É lá que temos um poder que Deus nos deu e que fazemos a diferença", referindo-se aos Açores e ao lema local "antes morrer livres do que em paz sujeitos". "Preferíamos morrer livres do que sujeitos a um PSD. Nunca terei medo e não estou agarrado àquele lugar. A verdade é que o governo dos Açores cedeu em tudo o que o Chega exigiu". O que justifica o seu voto favorável enquanto oposição.

Pacheco garante que lá no seu castelo no meio do Atlântico manda o mesmo que manda aqui e que, por isso, durante todo o processo de negociações, houve diálogo com André Ventura, o presidente do seu partido, e aponta a ligação açoriana como um exemplo para o país. "Um partido é um conjunto de pessoas, um conjunto de ideias, que se rege no diálogo e que tem um líder. Alguém tem de comandar esta caravela e fazer ouvir a sua voz e, no meu partido, para além de vocês marinheiros desta caravela, existe um capitão, que se chama André Ventura", narrou.

Outro exemplo para o país, de acordo com o deputado açoriano do Chega, é a criação (esta sexta-feira) do gabinete anticorrupção.

Relacionados

Veja Também

Mais Notícias

Outros Conteúdos GMG