"O seu marido não pode receber fundos europeus." PS manda apagar pergunta da IL à ministra da Coesão

Empresas do marido de Ana Abrunhosa, ministra da Coesão Territorial, receberam pelo menos 133 mil euros em fundos comunitários.

PorFrancisco Nascimento
© André Kosters/Lusa

A ministra Ana Abrunhosa estava a ser ouvida na comissão de Ordenamento do Território, quando a Iniciativa Liberal (IL) questionou a governante com um possível conflito de interesses: de acordo com o Observador, as empresas do marido da ministra da Coesão Territorial receberam pelo menos 133 mil euros em fundos comunitários.

O PS, pela voz da deputada Isabel Guerreiro, pediu que a pergunta fosse retirada da gravação da comissão, "por não fazer parte da ordem de trabalhos", já que os deputados "não podem vir para aqui falar do café ou do chá que podiam ter bebido durante a tarde",

No que Carlos Guimarães Pinto, da IL, chama de "elefante na sala", o deputado defendeu que a ministra "tem informação privilegiada e antecipada" sobre os fundos, e tutela a pasta "que distribui os fundos".

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"O seu marido não pode ser beneficiário de fundos europeus", conclui o liberal.

Carlos Guimarães Pinto deixou até um ultimato à pista, de entre duas alternativas: "Ou as empresas do seu marido devolvem os fundos ou a ministra se demite".

A deputada do PS, Isabel Guerreiro, que até admitiu inexperiência, já que foi eleita pela primeira vez a 30 de janeiro, pediu uma interpelação à mesa para que "a questão fosse retirada da gravação e da ata".

"Eu não posso vir para aqui falar do concerto que fui ver no verão, porque não está na ordem de trabalhos. E, por isso, acho que a gravação deve ser retirada e deve ser retirada essa parte da ata. Não pode ficar a constar", defendeu.

Apesar de ter sido questionada, pelos liberais, mas também pelo Chega, a ministra escusou-se a responder a qualquer questão sobre o caso. A presidente da comissão ainda passou a palavra à ministra, que precisou apenas de poucos segundos.

"Creio que já respondi a todas as questões que foram colocadas", atirou.

Numa nota escrita enviada ao Observador, Ana Abrunhosa responde que pediu um parecer à Procuradoria-Geral da República. O parecer conclui que "não é ilegal" o marido da ministra receber fundos comunitários, mas vê "obscuridade" quanto à ética do caso.

Notícia atualizada às 13h50

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