Portugal antecipa 1,66% do PIB para Defesa em 2023 e "não se compromete" com data para a meta de 2%

António Costa defende que "cada euro investido" deve valer "por três" e "apoiar o nosso sistema científico nacional e reforçar e aumentar as capacidades da Defesa".

PorCarolina Quaresma
© J. J. Guillen/EPA

António Costa sublinhou, esta quarta-feira, o compromisso de Portugal com as metas da NATO, mas perante a atual situação económica dá prioridade à dívida pública. O primeiro-ministro adiantou que Portugal vai antecipar o objetivo de 1,66% do PIB para a Defesa já em 2023, algo que estava previsto apenas para 2024, mas não se comprometeu com uma data para a meta de 2%.

"Neste quadro de incerteza quanto à definição dos fundos comunitários, nós temos que ter um objetivo que seja realístico ao longo da década. Vamos ter uma revisão da Lei da Programação Militar ainda no final deste ano ou no princípio do próximo ano. Em 2018 definimos 2024, e até vamos conseguir cumprir com um ano de avanço, já em 2023, o objetivo de 1,66%. Explicámos logo quais seriam as circunstâncias em que poderíamos atingir em 2024 os 1,98%, havendo recursos comunitários. Aqueles que estavam previstos na altura deixaram de existir, estão em discussão novos. Se vierem novos, as coisas podem alterar-se, não se alterando temos de ter um compromisso ao longo da década para convergir para esse objetivo, de uma forma séria, e não podemos comprometer-nos com uma data", afirmou à entrada para a Cimeira da NATO, que se realiza em Madrid, frisando que, tendo em conta a situação de incerteza global, Portugal "deve continuar com o firme compromisso de redução da dívida pública".

Ouça as declarações de António Costa na chegada à cimeira da NATO

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É preciso que "cada euro investido valha por três, cada euro tem que servir para apoiar o nosso sistema científico nacional e reforçar e aumentar as capacidades da Defesa", defendeu.

Costa esclareceu também que, no caso de reforço de tropas, Portugal ainda vai definir como é que poderá contribuir.

"Aguardamos que o comando da NATO faça uma precisão da distribuição das capacidades necessárias. Este ano temos incrementado bastante a nossa participação em forças nacionais destacadas, designadamente no âmbito da NATO. Este ano temos uma forte presença na Roménia e vamos continuar e acompanharemos esse reforço. Nós participaremos da forma adequada àquilo que são as nossas circunstâncias. Vamos prosseguir com o forte reforço que temos vindo a fazer ao longo dos anos tendo em vista cumprir os objetivos que, em 2014, foram assumidos para o reforço do nosso investimento em Defesa", explicou.

"Portugal assume os compromissos que pode cumprir", concluiu.

Costa explica que Portugal ainda vai definir como é que poderá contribuir para o reforço de tropas na NATO

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A cimeira de Madrid arranca oficialmente esta quarta-feira, mas na terça-feira, em reuniões paralelas e prévias, foi já alcançado o primeiro acordo que vai marcar o encontro e com o qual a Turquia retirou o seu veto à adesão da Finlândia e da Suécia à NATO.

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