Referendo em Barroselas e Carvoeiro: "Esta é a única oportunidade para nos livrarmos do Relvas e de outros assim"

PorAna Peixoto Fernandes

 foto Rui Manuel Fonseca/Global Imagens

 foto TSF

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Os cerca de 4800 eleitores da União de Freguesias de Barroselas e Carvoeiro, em Viana do Castelo, estão esta segunda-feira a ir às urnas para decidir a continuidade da integração formalizada em 2013 e que nunca foi pacífica para a população. A afluência às sete mesas de voto "tem sido positiva", segundo o autarca Rui Sousa, mas está a decorrer condicionada por vários fatores: o ser feriado, o estar muita gente de férias e por ser um dia de muitas festas em todo o lado.

A peregrinação à Senhora da Aparecida, na freguesia vizinha de Balugães (Barcelos), essa sim conta com grande afluência de romeiros que passam à porta das assembleias de votos, tanto de Barroselas e Carvoeiro, assim como na estrada que liga as duas freguesias. "Há uma grande devoção e é uma peregrinação que atrai gente de todas as freguesias aqui à volta", contou à TSF, Natália Ferreira, membro da União de Freguesias, que dá apoio às mesas de voto em Carvoeiro. Natália é natural e residente em Carvoeiro, exerce o cargo de secretária no executivo, presidido por Rui Sousa, que reside em Barroselas. Apesar de na equipa autárquica haver entendimento, já o mesmo não sucede com as populações.

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"Acho muito bem este referendo. É acima de bem. É ótimo. Nós fomos anexados a Barroselas, não foi Barroselas a Carvoeiro. E não fomos ouvidos. Fomos desprezados", declarou Agostinho Rio, eleitor em Carvoeiro, descontente com a união formalizada em 2013. "É importantíssimo sermos ouvidos, porque fomos marginalizados. Estou convencido que as pessoas vão votar e devem fazê-lo. Esta é a única oportunidade que temos de nos livrarmos do Relvas e de outros assim", acrescentou.

Em Barroselas, o casal Celeste e Fernando Alves também lamentam que a população não tenha sido auscultada aquando da união das freguesias. "Este assunto dividiu muito as pessoas. Eu acho que Barroselas tem população suficiente para estar independente", disse Celeste, considerando que o dia para a votação "não é o melhor". "Muita gente não virá porque é feriado, as pessoas estão de férias e há festas. Também não houve divulgação suficiente", acrescentou.

Já o marido Fernando entende que a consulta popular "faz falta, pelo menos para a população não ficar tão dividida e ficar mais consciente daquilo que deve ser". "Sempre se falou nisto porque não foi o povo que quis a União. É um referendo justo", disse.

Para o Presidente da Junta, Rui Sousa, a realização deste que é o primeiro referendo local do país sobre a (des)agregação de freguesias, deixa-o com "sentimento de missão cumprida".

"Foi uma promessa que fizemos em campanha e, no fundo, hoje é a concretização. Foi um processo algo complexo e quando muita gente dizia que ia ser quase impossível porque o tribunal não nos ia dar o ok para a realização, conseguiu-se, está-se a cumprir e agora as pessoas é que terão de vir cumprir seu o dever cívico", declarou o autarca, comentando que, nas primeiras horas do dia, "a afluência até tem sido positiva, atendendo a que não é um ato eleitoral para uma autarquia ou outro órgão".

"As pessoas têm vindo e ainda é cedo. Acho que vão continuar a vir e espero que da parte da tarde haja uma afluência ainda maior", adiantou, confessando que "ficaria satisfeito se votassem mais de 50 por cento das pessoas [para o referendo ser vinculativo]".

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