"Se Carlos César servir para que o Governo aja para taxar lucros excessivos, seja bem-vindo"

Pedro Filipe Soares deixa críticas à resposta "tardia" do Governo aos problemas da inflação. O líder da bancada do Bloco de Esquerda dá o exemplo de Espanha e diz que o ministro das Finanças, Fernando Medina, "está de férias para o que interessa ao país, o que demonstra prioridades erradas".

PorFilipe Santa-Bárbara com Carolina Quaresma
© Miguel A. Lopes/Lusa

"Seja bem-vindo." É assim que reage o Bloco de Esquerda à posição de Carlos César que, na quinta-feira, defendeu, através de uma publicação no Facebook, uma taxa sobre lucros extraordinários, taxa essa que há muito é defendida pela esquerda parlamentar.

Para o líder da bancada do Bloco, Pedro Filipe Soares, o Governo está atrasado na resposta de combate à inflação e saúda a posição do presidente do Partido Socialista.

"É preciso que haja mais ação e menos conversa. E se Carlos César servir para que o Governo aja para taxar estes lucros excessivos, seja bem-vindo a esta posição", afirmou, em declarações à TSF, criticando a "resposta tardia" do Governo "a qualquer um dos problemas que a inflação está a criar".

Ouça as declarações de Pedro Filipe Soares à TSF

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Pedro Filipe Soares desafia ainda o primeiro-ministro que tem, esta sexta-feira, agenda pública a pronunciar-se sobre o assunto. Quem não tem compromissos públicos, mas tem marcado a agenda, é o ministro das Finanças, mas não pelos melhores motivos. No entender do Bloco de Esquerda, Fernando Medina não pode estar de férias para o que interessa ao país e dá o exemplo espanhol, onde o governo já desenhou três pacotes de resposta à crise inflacionista.

"É agosto, mas não por acaso o senhor ministro das Finanças escolheu agosto para fazer a contratação milionária do seu assessor Sérgio Figueiredo. Por isso, pode estar de férias para algumas coisas, mas aparentemente não de férias para tudo. Está é de férias para o que interessa ao país e isso é o que demonstra prioridades erradas", defende, lembrando que já há vários países a "agir preventivamente" contra a inflação, como é o caso de Espanha, ao contrário de Portugal que apenas apresentou um " e muito tímido" pacote de resposta à crise.

"É incompreensível. A desculpa não pode ser agosto, porque este problema é anterior a agosto e é incompreensível que o Governo não lhe dê atenção e esteja entretido em outras coisas mais próximas do seu umbigo do que dos interesses do país", conclui.

Pedro Filipe Soares critica a resposta do Governo aos problemas da inflação

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O presidente do Partido Socialista (PS), Carlos César, defendeu na quinta-feira que "é necessário ir mais além", quer no reforço dos apoios às famílias e empresas, quer com os "que lucram com a crise inflacionária".

Para Carlos César, as dificuldades são sentidas por todos, exceto "pelo que se vê" por "umas quantas grandes empresas que, no presente contexto inflacionário, revelam lucros excessivos ou, no mínimo, excecionalmente elevados".

"Deviam ser objeto de uma coleta fiscal extraordinária, pelo menos na componente que não se destine ao reinvestimento. Não compreendo que assim não se proceda", acrescentou, numa publicação divulgada na rede social Facebook.

O Governo anunciou na quinta-feira um reforço do abono de família para um mínimo de 600 euros anuais por filho, para crianças dos 1.º e 2.º escalões, e criou uma prestação adicional para crianças em situação de pobreza extrema.

Carlos César vincou que estas "são medidas importantes", a que se soma a partir de 01 de setembro a gratuitidade das creches.

"Mas é necessário fazer mais, incluindo, também, outros setores afetados no seu rendimento, promovendo, 'já no próximo mês de setembro' como o primeiro-ministro indiciou no mês passado, o reforço de apoios às famílias e às empresas, para que possam fazer 'face aos efeitos da inflação'", sublinhou.

O presidente do PS referiu que deve haver um acompanhamento "com muita proximidade e no limite das finanças públicas", sobre "os efeitos que se adensam na vida das famílias e das empresas", agindo "diretamente, ainda que a título extraordinário, no seu rendimento e salvaguardar bens essenciais como, por exemplo, no setor da habitação ou no acesso aos cuidados de saúde".

"Ora, é bom que o governo se apresse e que o faça com a expressão suficiente e adequada face às dificuldades, quer conjunturais quer estruturais, que todos sentem", atirou.

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