"Só faz falta quem está", diz Francisco Rodrigues dos Santos

A terminar o mandato, o líder do CDS reconhece que estes dois anos foram mais difíceis do que esperava.

PorRute Fonseca
© Artur Machado/Global Imagens

Passam esta quarta-feira dois anos desde que Francisco Rodrigues dos Santos foi eleito líder do CDS. De acordo com o regulamento eleitoral do partido, a duração do mandato é de dois anos, que se contam a partir da data da tomada de posse - 26 de janeiro de 2020. No entanto, os estatutos dizem que Francisco Rodrigues dos Santos continua em funções até que seja eleito um novo presidente.

Num balanço deste primeiro mandato, o líder do CDS desvaloriza a saída dos militantes, mas reconhece que estes dois anos foram difíceis.

"Mantenho-me no cargo e espero ser o próximo presidente do partido, que não haja um novo mas seja o mesmo. Foram dois anos difíceis, fomos atravessados por uma pandemia que contraiu a forma de fazer política e que me impediu de fazer das ruas o meu escritório como prometi no congresso. Não fui deputado, o que acabou por diminuir a margem de afirmação da minha liderança. Fui também penalizado pela 'dívida' que herdei do CDS. No entanto, apresentamos bons resultados eleitorais, nos Açores levamos pela primeira vez o CDS ao governo regional."

Ouça aqui os destaques da entrevista com Francisco Rodrigues dos Santos

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Como momento mais marcante destes dois anos, aponta "o facto de ter chegado ao governo do governo da Região Autónoma dos Açores. Sobre as entradas e saídas de militantes, tiveram impacto porque eram nomes conhecidos, mas o CDS teve muitas mais entradas do que saídas. Nos últimos três meses, entraram no partido 1300 pessoas e saíram 170. O CDS cresceu e está a renovar-se".

Francisco Rodrigues dos Santos diz que "só faz falta quem está e muitos dos que saíram agora do CDS, o CDS já tinha saído deles há muito tempo". No futuro "gostava que todos os simpatizantes do CDS se sentissem bem na grande casa da direita. Quero que todos se sintam bem no CDS mas é preciso perceber que o partido tem uma liderança que tem que ser respeitada e tem uma estratégia que foi aprovada pelos militantes e que deve ser exercida. Tem ainda vontade de renovas os protagonistas, para renovar os rostos e alavancar o partido".

O líder do CDS afirma que não mudaria nada na estratégia seguida nestes últimos dois anos.

O Congresso do CDS-PP que chegou a estar marcado para 27 e 28 de novembro foi adiado e realiza-se após as eleições legislativas. Francisco Rodrigues dos Santos não esconde que quer ganhar e continuar a ser o presidente do partido. Questionado sobre Nuno Melo, que também luta pela liderança do partido e acusou o líder do CDS de ter "sequestrado a democracia no partido", Francisco Rodrigues dos Santos afirma que "o congresso vai realizar-se no calendário normal, só não foi antecipado e quem tomou esta decisão foram os militantes reunidos em Conselho Nacional, que é o órgão máximo do partido. Aqueles que respeitam as decisões dos órgãos do Conselho Nacional nunca podem ser acusados de ser antidemocratas".

O Congresso do CDS realiza-se após as legislativas de 30 de janeiro, mas ainda não tem data marcada.

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