"Vergonha nacional." Ventura expressa "revolta e frustração" perante Operação Marquês

Para o líder da direita radical, milhões de euros foram retirados aos portugueses "para alguns fazerem vida à conta disso" e, "quando chega a 'hora H'", não há Justiça.

PorLusa
© António Cotrim/Lusa

O presidente do Chega, André Ventura, manifestou, esta sexta-feira, um "sentimento de revolta e frustração" pela decisão instrutória do juíz Ivo Rosa que ilibou o ex-primeiro-ministro José Sócrates dos crimes de corrupção no processo Operação Marquês.

"É evidente, perante todos, que a decisão que hoje foi conhecida, de deixar cair os crimes de corrupção ligados a José Sócrates, muitos deles por razões de prescrição, causa-nos enorme perplexidade, sentimento de revolta e de frustração. É um ultraje o que hoje aconteceu. É mais um tiro no edifício do Estado de Direito, na crença da democracia em Portugal e um enorme aumento de frustração e revolta dos cidadãos face à nossa democracia, que, de facto, está doente", disse André Ventura.

Numa declaração em vídeo divulgada à imprensa, André Ventura considerou que está hoje em causa "um sentimento de vergonha nacional, perante um antigo primeiro-ministro" que tinha "despesas inqualificáveis, formas e fontes de fortuna incompreendidas por todo o cidadão, face à vida que fazia --, e, ainda assim, a Justiça deixa-o escapar".

Apesar de expressar "revolta e frustração", André Ventura disse que respeita as "instituições e a independência dos tribunais e dos juízes e sua decisão", após ser conhecida a decisão instrutória em que o ex-chefe de Governo foi pronunciado para ir a julgamento em três crimes de branqueamento de capitais e outros tantos de falsificação de documentos.

"Perante um cenário tão grotesco, tão absurdo, como hoje o país assistiu, não podemos deixar de manifestar a nossa mais profunda perplexidade e revolta. Não se trata do homem José Sócrates ou Ricardo Salgado nem Zeinal Bava... Trata-se do país, de uma teia de interesses que todo o país viu e de formas de financiamento que sabíamos que não poderiam ser de origem lícita", alegou.

A direção nacional do Chega, a que Ventura preside, também emitiu um comunicado onde se lê que, "havendo ou não recurso, pelo Ministério Público (MP) ou pelos arguidos, hoje é um dia negro para a Justiça em Portugal e um dia ainda mais negro para o Estado de Direito em que pensamos viver".

"Quando se gera na comunidade um sentimento tão forte e tão enraizado de impunidade, a qualidade da democracia e das nossas instituições fica claramente em causa, ameaçando-nos a todos", concluem os dirigentes do Chega.

Em decisão instrutória, o juiz Ivo Rosa, do Tribunal Central de Instrução Criminal, deixou "cair" várias acusações a José Sócrates, nomeadamente de corrupção, considerando que outras acabaram por prescrever.

Mas o juiz de instrução decidiu que o antigo governante socialista deve ir a julgamento por branqueamento de capitais e falsificação de documentos, secundando nesta parte imputações feitas pelo Ministério Público (MP).

No processo com mais 27 arguidos, o MP associava o antigo governante a um total de 31 crimes.

Sócrates, que se define como social-democrata de centro-esquerda e um político "sanguíneo", conseguiu levar o PS à primeira maioria absoluta, em 2005, e é também, desde hoje, o primeiro antigo primeiro-ministro português a ir a julgamento.

A fase de instrução, hoje fechada, começou em 28 de janeiro de 2019.

Ocorre escassos dias após o presidente do Supremo Tribunal de Justiça, Joaquim Piçarra, ter defendido a extinção da instância que a proferiu (Tribunal Central de Instrução Criminal).

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