Ana Gomes ao ataque: Marcelo quer direita e Passos no poder

É o tudo por tudo na caça ao voto, sobretudo da família socialista: votar em Marcelo Rebelo de Sousa vai ajudar direita a chegar ao poder com Passos Coelho na liderança. Sócrates, Costa e até Isabel Moreira debaixo dos holofotes da "rottweiler" Ana Gomes.

"Há aí uns tipos que me chamam rotweiller, pois serei rotweiller, não largarei, andarei persistentemente atrás de quem pode resolver problemas que precisam de ser resolvidos e que é inadmissível que não estejam resolvidos." A frase é de Ana Gomes e simboliza a atitude com que encarará a Presidência da República se os portugueses lhe concederem a missão, mas é também significativa da atitude na reta final de campanha: ao ataque.

E à cabeça, claro, Marcelo Rebelo de Sousa, o grande adversário nesta eleição. Numa conversa na internet com jovens socialistas da capital e que se prolongou noite dentro por mais de duas horas, Ana Gomes começa por lançar uma pergunta dirigida aos camaradas socialistas: "O que os portugueses, em particular os socialistas querem, é esta estabilidade que é enganosa e que o candidato da direita promete?"

Pausa para respirar e vai com tudo. "Já temos demasiados indícios que mostram que Marcelo Rebelo de Sousa vai trabalhar para trazer a direita ao poder e é uma direita, tudo indica, que será encabeçada por Passos Coelho. Já começaram as estratégias de promoção. E não hesitará recorrer ao que for necessário, incluindo a normalização de um partido da ultra direita, para esse desígnio".

Ataque lançado, Ana Gomes nota ainda que o atual Chefe de Estado tem atualmente um discurso "ambíguo e contraditório". "Num dia, é responsável por tudo o que se passou em matéria de gestão da pandemia, no dia seguinte, se não aconteceu, a responsabilidade é do Governo", sublinha a candidata, lembrando a questão da requisição civil dos privados na saúde.

Vincando que Marcelo "sempre foi da direita", Ana Gomes ainda tem críticas em relação à política externa do atual Presidente e, no plano nacional, considera que ele nunca foi adepto de uma "geringonça 2.0". Mas nem só de Marcelo se fez esta conversa...

Fantasma de Sócrates

Adiante na conversa, eis que chega o momento de trazer outro antigo primeiro-ministro para a conversa, nomeadamente, pelo que o Partido Socialista não fez depois da passagem de Sócrates.

A propósito de um dos temas que lhe são caros - a corrupção -, Ana Gomes nota que o PS, "tal como o PSD e como o CDS", são os principais alvos das "tentativas de infiltração para capturar o Estado e desviar recursos do Estado para negócios privados".

"É nesse sentido que o caso Sócrates é tão importante. Ainda por cima, um caso que afetou dramaticamente não só o nosso país, mas o nosso partido", aponta a candidata a Belém, lembrando que "várias vezes disse" que o partido devia ter feito uma autoanálise do que aconteceu e de como se deixaram "instrumentalizar" para que não voltasse a acontecer.

Crítica ao próprio partido, lembrando que o secretário-geral António Costa fez "alguma demarcação", mas que "não houve nunca uma análise" que considera ser importante.

"Independentemente dos crimes de que é acusado e que serão objeto de julgamento, há factos inquestionáveis", sublinha a candidata, recordando a criação dos RERT (Regime Excecional de Regularização Tributária). "Isto aconteceu no Governo Sócrates e, se o PS não lida com isto e não assume que é um erro e que foi um esquema para desviar recursos do Estado, do meu ponto de vista, vulnerabiliza-se, e eu quero um PS reforçado", aponta Ana Gomes, que, olhando para si própria, admite a postura crítica porque "tem cabeça para pensar" e nunca precisou "de emprego à conta do PS".

Comunistas ou Socialistas?

Mas, em mais de duas horas de conversa, ainda houve tempo para mais farpas, também para dentro do próprio partido. Repetiu críticas que já tinha feito a Marisa Matias e João Ferreira numa outra conversa online esta semana, mas sem nunca nomear, teve uma palavra "especial" para a deputada Isabel Moreira.

É público e notório o apoio de Isabel Moreira ao candidato João Ferreira, já estiveram inclusive juntos em campanha, e isso é algo "que faz muita confusão" a Ana Gomes.

"Quer o partido (comunista), quer esse candidato em particular, têm toda uma trajetória de maldizer da Europa que é completamente incompatível com o que é a trajetória do PS de Mário Soares e que eu, com muito orgulho, julgo levar por diante", frisa a candidata que, ao longo de duas horas, respondeu a perguntas dos jovens socialistas de Lisboa e que lhes deixou logo um reparo em jeito de picardia: "Se eu estivesse no vosso lugar, isto andava diferente".

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