André Ventura quis atacar Costa mas... falhou na cronologia

O deputado do Chega acusou, esta quarta-feira, António Costa de ter ido a reboque de uma pergunta dele sobre precários no gabinete de São Bento. Só que omitiu a data de assinatura do despacho, anterior ao debate.

Foi a segunda vez que André Ventura utilizou o direito a intervir no período de declarações políticas e desta vez, pelo meio de ataques diversos, o deputado do Chega exibiu o despacho que "cria a unidade orgânica flexível da Divisão de Apoio à Residência Oficial do Primeiro-Ministro".

O tema tinha estado presente no último debate quinzenal, no dia 27 de novembro, quando o deputado do Chega questionou o Primeiro-Ministro sobre se tinha precários no gabinete. Foi o momento em que António Costa provocou sorrisos ao dizer que "o mais precário sou eu", já que o contrato como Primeiro-Ministro "é de 4 anos". Costa adiantou depois que "a lei de precários não se aplica aos gabinetes", porque os assessores e adjuntos do gabinete "são pessoas de confiança política e por isso devem estar associados à manutenção das funções do seu ministro ou secretário de Estado". E que sobre a situação dos funcionários administrativos do Estado que trabalham em São Bento "foi criada uma divisão própria para os funcionários públicos e administrativos que trabalham na residência do primeiro-ministro".

Ora, hoje, André Ventura regressou ao debate para insinuar que Costa só avançou com o despacho depois de ter sido interpelado no Parlamento: "Disse até já criámos uma Divisão. Vejam lá Srs. Deputados, milagre! Esta divisão aparece na segunda-feira, no Diário da República. Há coisas do diabo, Há coisas do diabo... Na segunda-feira depois de confrontarmos o Sr. Primeiro-Ministro aparece o despacho" disse o deputado único do Chega acrescentando "para que não venham dizer que é invenção: é o despacho 11325 de 2019".

Só que o despacho exibido por André Ventura , embora tenha sido publicado em Diário da República na segunda-feira dia 2 de dezembro, já tinha sido assinado pelo Secretário-Geral, David João Varela Xavier da Presidência do Conselho de Ministros, no dia 21 de novembro, ou seja seis dias antes do debate quinzenal em que o deputado puxou pelo assunto.

Esta foi a segunda vez que, no período das declarações políticas, o deputado do Chega exibe documentos, distorcendo o conteúdo: na véspera da manifestação das forças de segurança, André Ventura tinha mostrado faturas de alegadas compras de coletes anti-bala que se revelaram incorretas.

Como há cerca de duas semanas, André Ventura ficou a falar sozinho, não tendo recebido pedidos de esclarecimento por parte de qualquer dos outros partidos, depois de uma intervenção onde o deputado do Chega disparou em várias direções, acusando, por exemplo, Marcelo Rebelo de Sousa de ser "um Presidente que tira selfies atrás de selfies e nada resolve do país que temos", o Parlamento de estar "cada vez mais longe das pessoas" ao debater Greta Thunberg ou a regionalização. Ventura desafiou ainda a esquerda parlamentar a chumbar o OE 2020 para provar que "está ao lado dos professores".

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