Costa já respondeu às 100 perguntas de Carlos Alexandre. Leia as respostas

Primeiro-ministro garante que não sabia nada sobre a recuperação encenada das armas de Tancos.

António Costa já respondeu por escrito às 100 perguntas colocadas pelo juiz Carlos Alexandre sobre o furto das armas nos Paióis Nacionais de Tancos.

A notícia é avançada pelo gabinete do primeiro-ministro num comunicado enviado às redações, que também disponibiliza na íntegra o despacho de 49 páginas:

LEIA AQUI AS RESPOSTAS DE ANTÓNIO COSTA ÀS CEM PERGUNTAS DE CARLOS ALEXANDRE SOBRE O CASO TANCOS

Nas respostas, o primeiro-ministro diz que desconhecia completamente a encenação do furto e afirma que só foi informado sobre o assalto por Azeredo Lopes, ex-ministro da Defesa, no dia 28 de junho de 2017, dia em que este foi detetado.

"Não" é a resposta a quase metade das perguntas colocadas pelo juiz Carlos Alexandre. António Costa assegura que não estava ao corrente dos contactos trocados entre os vários arguidos neste processo e sai em defesa Azeredo Lopes.

Questionado, por exemplo, se sabia que o então ministro da Defesa Nacional "deu a concordância ao arguido Luís Vieira [diretor da Polícia Judiciária Militar], para este executar todas as diligências necessárias à recuperação do material militar, com total desconhecimento do Ministério Público e da PJ", António Costa diz não saber, nem acreditar que isso tenha acontecido.

"Como tive oportunidade de declarar à Comissão Parlamentar de Inquérito sobre o caso de Tancos, considero que o Professor Doutor Azeredo Lopes sempre desempenhou com lealdade as funções de Ministro da Defesa Nacional", reforça.

Não, não e não

Nas perguntas enviadas ao Palácio de São Bento no dia 24 de janeiro, o juiz Carlos Alexandre quis averiguar se o primeiro-ministro falou sobre o caso Tancos com a Casa Militar da Presidência da República, o então chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, Rovisco Duarte, com o diretor da Polícia Judiciária Militar, Luís Vieira, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, e com a secretária-geral do Sistema de Segurança Interna, Helena Fazenda. A resposta é sempre não.

António Costa nega ter tido conhecimento da reunião no Ministério da Defesa, em outubro de 2017, entre Luís Vieira e o major Vasco Brazão, com o tenente-general Martins Pereira, chefe de gabinete de Azeredo Lopes.

Na carta enviada a Carlos Alexandre, diz que soube que o material tinha sido encontrado na manhã do próprio dia em que a descoberta aconteceu, quatro meses após o furto, que foi Azevedo Lopes a informá-lo por telefone.

Inclusive felicitou publicamente a Polícia Judiciária Militar e a GNR pelo trabalho na recuperação das armas, em declarações numa conferência de imprensa no final de uma cimeira de chefes de Estado europeus, no dia 20 de outubro de 2017.

"Um documento apócrifo"

O primeiro-ministro recusa ainda ter sabido da entrega de um memorando sobre a operação ilegal da Polícia Judiciária Militar para a recuperação das armas, que descreve o conjunto de técnicas e procedimentos operacionais a pôr em prática.

Ao ler esse texto, António Costa concluiu tratar-se de "um documento apócrifo, confuso". Segundo diz, teve acesso ao memorando no dia da demissão do ministro da Defesa, a 12 de outubro de 2018, data em que o mostrou a Azeredo Lopes. Também ele parecia "nunca tinha visto anteriormente tal documento".

O comunicado sobre o achamento das armas emitido pela Polícia Judiciária Militar não foi uma surpresa para o primeiro-ministro, uma vez que supôs que a recuperação tinha sido efetuada "no quadro da colaboração institucional a que a PJM estava vinculada".

Contudo, António Costa confessa que estranhou a colaboração do núcleo de investigação criminal da GNR de Loulé na recuperação das armas: "Estranhei, tendo em conta a distância entre Loulé e o local da operação [na Chamusca]. No entanto, admiti que resultasse de uma operação que decorrera em diversas localidades, no âmbito da cooperação que deve existir entre órgãos de polícia criminal", escreveu.

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