Apelo ao voto no Chega. "Inaceitável", "um erro estratégico" e "clivagem" na bancada do PSD

Na semana passada, Luís Montenegro fez um apelo para que o grupo parlamentar do PSD votasse no candidato proposto por André Ventura para vice-presidente da Assembleia da República. O tema esteve em análise por Pacheco Pereira, António Lobo Xavier e Alexandra Leitão no programa da TSF e da CNN Portugal O Princípio da Incerteza.

A eleição falhada do candidato do Chega para vice-presidente do Parlamento esteve em análise no programa da TSF e da CNN Portugal O Princípio da Incerteza. Pacheco Pereira considera "inaceitável" o apelo que o líder do PSD fez para que o grupo parlamentar do PSD votasse no candidato proposto pelo partido de André Ventura.

"A decisão e a recomendação do líder do PSD para que o grupo parlamentar apoiasse a candidatura do Chega a uma das vice-presidências da Assembleia da República é inaceitável de todo. Ele devia ter aprendido com a lição de Rui Rio, que passou todo o tempo a penar por acusa do acordo dos assessores e por algumas ambiguidades nos debates sobre o Chega. A ambiguidade sobre o Chega numa matéria tão relevante como é uma matéria que não é meramente formal, como ele a apresentou, mas é uma matéria substancial, uma escolha para vice-presidente da Assembleia da República de um partido como o Chega tem um forte conteúdo político", considera.

Pacheco Pereira afirma que, "felizmente", "uma parte significativa dos deputados do PSD não aceitou essa recomendação e, como o voto é secreto, o homem não chegou lá, mas a recomendação pública permitiu ao Chega dizer uma coisa básica: 'Estamos a ser normalizados'."

Para António Lobo Xavier, este apelo demonstra que há uma normalização do Chega, algo que do ponto de vista do antigo dirigente centrista constitui "um erro estratégico".

"O Chega candidata uma figura inexistente, sem nenhuma base e sem nenhum currículo e o PSD resolve colocar a cave nesta causa. É incompreensível até do ponto de vista estratégico, é uma caução, num certo sentido, às ideias do Chega. Não é possível apoiar um vice-presidente da Assembleia da República ou insistir na sua eleição sem ter uma posição de condescendência relativamente a alguns aspetos fundamentais. No futuro, provavelmente Luís Montenegro não poderá garantir que não aceitará um apoio do Chega, mas começar a tratar desse assunto agora com este compromisso é uma coisa que não percebo do ponto de vista estratégico", refere.

Alexandra Leitão concorda com Pacheco Pereira e Lobo Xavier e aponta "clivagens" no seio da bancada social-democrata: "Se fizermos as contas aos votos, percebemos que cerca de um terço da bancada do PSD não votou."

O candidato do Chega à vice-presidência da Assembleia da República falhou na quinta-feira a eleição por larga margem. No final da reunião plenária, Augusto Santos Silva anunciou que o deputado Rui Paulo Sousa obteve 64 votos favoráveis.

Dos 230 deputados, exerceram o direito de voto 213, com 137 votos brancos e 12 nulos. O assunto criou celeuma na bancada do PSD após o líder parlamentar do partido ter apelado deputados sociais-democratas para que votassem a favor do candidato apresentado pelo Chega, Rui Paulo Sousa.

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