Aristides no Panteão Nacional. "Valores essenciais não mudam" por nenhuma "lei de um ditador"

Marcelo Rebelo de Sousa exaltou a "personalidade moral" de Aristides de Sousa Mendes, que considera ter alterado a História de Portugal e projetado Portugal além fronteiras.

O Presidente da República assinalou, esta terça-feira, a entrada de Aristides de Sousa Mendes no Panteão Nacional. No discurso durante a cerimónia de homenagem, Marcelo Rebelo de Sousa declarou que o antigo cônsul mudou a história de Portugal e projetou o país no mundo.

O Presidente explicitou que Aristides de Sousa Mendes se junta a um leque de personalidades que mereceram honras de Panteão Nacional, antes e após a democracia em Portugal, começando por notar aquilo que distingue os homenageados antes da democracia e depois dela. "Antes, eram só homens; hoje, são homens e mulheres. Antes, eram só chefes de Estado e personalidades das Letras; hoje, são dos mais variados domínios", comentou o Presidente. E o que os aproxima? "Todos mudaram a história de Portugal e projetaram Portugal no universo", respondeu Marcelo, lembrando que "os tempos mudaram" e que "há mais vida para além da Literatura e da Política e mais cidadania do que a dos homens".

Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que Aristides de Sousa Mendes mudou história de Portugal "nesse momento trágico que foi o genocídio em plena guerra mundial" e que, por isso, é reconhecido e venerado "na Europa, nas Américas, em África, na Ásia, onde quer que haja descendentes daqueles que ajudou a salvar".

O Presidente da República acrescentou que não há raças, etnias, culturas nem civilizações "que sejam umas mais que as outras" e que não mereçam o respeito da dignidade da pessoa, princípio que o cônsul honrou com os seus atos.

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou que os "valores essenciais não mudam" por nenhuma "lei ou ordem de ditadura ou de um ditador".

"Aristides serviu com coragem extrema, provação pessoal e familiar e exemplar humildade esses valores na sua mais notável expressão. Portugal, curvando-se perante a sua personalidade moral, eternamente grato, hoje e para sempre, o recorda e homenageia", concluiu o Presidente da República. "Aqui entra Aristides e aqui permanecerá até ao fim dos tempos, se os tempos tiverem fim."

Aristides de Sousa Mendes tem, a partir desta terça-feira, honras de Panteão Nacional. O antigo cônsul de Bordéus, que salvou milhares de judeus do Holocausto nazi, ganha um túmulo, sem corpo, no espaço que presta tributo a várias figuras nacionais, como Luís de Camões, Vasco da Gama, Infante D. Henrique, Amália Rodrigues, entre outros.

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