As cinco lições da pandemia segundo António Costa

Na perspetiva de Costa, a pandemia trouxe cinco lições fundamentais, e explica-as.

O primeiro-ministro salientou, neste sábado, que se têm vivido tempos difíceis em Portugal, mas disse acreditar na "oportunidade histórica" de transformar o país.

1. Estado social forte

António Costa, no 23º Congresso Nacional do PS, mostrou não duvidar de que, apesar da baixa autoestima portuguesa, Portugal tenha motivos de orgulho. Na perspetiva de Costa, a pandemia trouxe cinco lições fundamentais, como a de provar a importância do fortalecimento dos serviços do Estado, sobretudo do SNS, "fruto de logo em 2016 termos definido o reforço do SNS como prioridade" e da reposição dos cortes feitos pela direita ao sistema de saúde.

"Nunca nenhum profissional de saúde teve de ser sujeito à violência terrível dessa escolha que é optar quem deixar viver ou morrer", salvaguardou Costa, falando do que tinha sido previsto mas nunca se concretizou. O primeiro-ministro garante que a recuperação já está em marcha: as consultas já aumentaram 22% e as cirurgias 33%.

"Às crises responde-se com solidariedade e não com austeridade"

2. Solidariedade vs. Austeridade

Solidariedade. Para Costa, esta é a receita do sucesso, e não a fórmula adotada anteriormente pela direita. O primeiro-ministro realça que o Governo se reinventou, para não deixar ninguém para trás, atualizando os salários, garantindo apoios a empresas e a salvação da TAP. As medidas de apoio às empresas e ao emprego foram vitais, garantiu o governante.

O investimento no rendimento, a mensagem "clara" de que não deixarão as empresas morrer, a confiança transmitida fizeram com que o investimento empresarial aumentasse no primeiro trimestre, defendeu Costa. Apesar de ter atravessado dois confinamentos, Portugal voltou a crescer, e a crescer acima da média da UE.

3. "Famosos mercados" não têm medo de política de emissão de dívida conjunta

"Também em 2021 retomámos a trajetória de convergência com a União Europeia", declarou. Sem o excedente orçamental de 2019, Portugal não teria "músculo" para enfrentar a crise pandémica. "Não podemos fazer as contas mesquinhas" do que é necessário para salvar os serviços públicos, afirma Costa. "Os famosos mercados não têm medo da nossa política. Têm confiança na nossa política."

A lição da importância da Europa. "A direita portuguesa não aprendeu o que a direita europeia já percebeu"

4. Resposta conjunta da UE

António Costa asseverou que a resposta conjunta da UE foi fundamental para que Portugal conseguisse fazer face a problemas como a distribuição das vacinas. "Não há nenhuma fatalidade" que determine que a direita europeia tenha de adotar a austeridade.

A UE adotou uma atitude de solidariedade e resolveu dar um salto, destaca António Costa, falando ainda da emissão da dívida conjunta e da aprovação dos PRR. Para Costa, a direita portuguesa não compreendeu a lição que a direita europeia tem transmitido.

As fragilidades que a pandemia destapou

5. Proteção aos trabalhadores da cultura

António Costa assegura ser essencial acelerar a execução do PRR, e considera ser essencial diluir as precariedades laborais indignas de uma sociedade democrática. "Vamos dar um passo histórico, que é tratar os trabalhadores de cultura de acordo com as especificidades, mas garantindo a cobertura da Segurança Social."

Olhando para as várias fragilidades que a pandemia veio expor, Costa destaca o direito à habitação, os cuidados de saúde continuados dos idosos - "não podem ser mais anos a sofrer, mas anos de qualidade" -, que se consagram nas redes de cuidados continuados do país, o investimento nos transportes públicos, vistas as dificuldades enfrentadas por aqueles que deles precisam, e a necessidade de uma transição verde e digital, com aposta na formação.

O primeiro-ministro também destacou que foram aprovadas medidas pela Justiça "para combater a chaga da corrupção".

Foi ainda diminuída a taxa de abandono escolar precoce, com a meta de 10% ultrapassada (8,9%). Também as candidaturas ao ensino superior têm aumentado, acompanhadas pelo aumento do número de vagas.

São sinais que deixam António Costa otimista: "Este não é o tempo de estarmos ausentes, é o tempo de estarmos presentes. Não é o tempo de desanimarmos, é o tempo de nos animarmos."

Apenas nos últimos instantes do discurso, Costa voltou ao tema das autárquicas, para dizer que o PS é "o maior partido autárquico", nas câmaras e nas freguesias. "Todos somos poucos para servir os portugueses", exorta, pedindo uma nova vitória socialista.

Outro dos temas do primeiro discurso do secretário-geral socialista no congresso do PS foi o agradecimento aos profissionais dos setores essenciais do país. Costa dirigiu uma "saudação calorosa" a todos os profissionais de saúde, graças aos quais 94% dos doentes estão hoje recuperados. Agradece também às Forças Armadas, que se mostraram disponíveis para missões de serviço público numa situação de emergência sanitária.

O setor social "foi incansável", sublinhou, lembrando ainda os esforços dos autarcas portugueses. "Provámos que trabalhando em conjunto e em rede somos mesmo mais fortes. Vamos vencer esta pandemia."

António Costa teceu agradecimentos e reconheceu os esforços dos que mantiveram os cuidados sanitários exigidos, aos profissionais de trabalhos que exigem a atividade presencial e atividade de emergência sem as quais o país pararia. O primeiro-ministro reconheceu ainda todos os que confiaram na ciência, na vacinação, "como grande arma de vencer esta pandemia", bem como os que não furaram os confinamentos.

Costa diz ainda que os jovens têm demonstrado um "extraordinário exemplo de maturidade", o que permitirá chegar ao final de domingo com 70% dos jovens entre os 12 e os 17 anos com a primeira dose administrada.

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