Marcelo no elogio aos povos brasileiro e português em contraste com lideranças políticas

Marcelo Rebelo de Sousa diz que "quando os povos decidem, estão a decidir pelas pátrias".

Presidente da República segue agenda intensa no Rio de Janeiro onde o prefeito da cidade fez questão de dizer que ele é "muito bem recebido" pelo "educado" povo brasileiro. Em discursos diferentes, Marcelo deixa o elogio às comunidades portuguesa e brasileira nos dois países.

Ninguém menciona nos discursos oficiais, mas fica implícito. Eduardo Paes, prefeito do Rio de Janeiro, quis deixar bem claro que Marcelo é muito bem-vindo, não só ao Rio, mas ao Brasil. E para todos, sobretudo os povos, Marcelo só tem elogios a fazer.

Mas primeiro Eduardo Paes que, numa cerimónia a assinalar o centenário da primeira travessia atlântica, no Centro do Rio de Janeiro, fez questão de vincar "as boas-vindas calorosas do educado povo brasileiro que tanto admira o povo português".

"Dizer ao senhor que é muito bem-vindo, nem imagina o quanto, a este país, recebendo-o de braços abertos, bem-vindo ao Rio de Janeiro e muito bem-vindo ao Brasil", destacou o autarca que não clarifica se era ou não uma referência a Bolsonaro, mas fica a leitura possível num momento em que o tema domina a agenda do Presidente português.

E Marcelo, que há dias que insiste nas relações entre portugueses e brasileiros - já desde uma conferência na Gulbenkian na semana passada - agora insiste nessa ideia mas deste lado do oceano.

Primeiro, lembrando a travessia de Gago Coutinho e Sacadura Cabral e os títulos que a imprensa da época deu ao feito: "a expedição foi chamada um beijo que atravessa o oceano". "Hoje diríamos, talvez, um abraço que atravessa um oceano, mas que em rigor não atravessa o oceano, está presente nos dois lados do oceano", disse o Chefe de Estado que, mais tarde, numa receção à comunidade lusa no Rio, deixou rasgados elogios aos dois povos.

E aqui um ponto de referência para as lideranças políticas, dando gás à ideia que Marcelo tem vindo a defender e de que o que interessa são os povos e as suas vontades e feitos.

"As pátrias constroem-se pelas suas lideranças, mas sobretudo pelos seus povos. São os povos que afirmam a sua presença na criação de riqueza, na distribuição de riqueza, no cultivar a língua e a vivência cultural que nos é comum, a experiência de solidariedade social que também nos é comum", realça Marcelo no consulado português da cidade carioca.

Sublinhando que "quando os povos decidem estão a decidir pelas pátrias", Marcelo lembra que "o povo português decidiu, ao longo dos séculos, não apenas amar o Brasil, mas fazer do Brasil uma prioridade nacional". Claro, pelo caminho, não fosse ele professor, com inúmeras referências históricas, seja relacionadas com a "epopeia" de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, seja relacionado com D. Pedro IV (I do Brasil) e os feitos heroicos que estão na génese dos dois povos ainda nos dias de hoje.

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