"Às vezes acham que sou tolo, que caí aqui de paraquedas e não percebo nada disto"

Uma hora e seis minutos onde coube praticamente tudo, dos "professores a mais" às sondagens, passando pelo apoio a Centeno no FMI ou até os incêndios e os camionistas. E, dúvidas houvesse, Rui Rio garante que vai nas listas: vai ser número dois pelo Porto.

"Às vezes acham que sou tolo, que caí aqui de paraquedas e não percebo nada disto". É Rui Rio o autor da frase e refere-se às críticas que lhe foram dirigidas na altura em que disse que, com o PSD, "a carga fiscal não vai subir". Para provar que "percebe disto", respondeu na Rádio Observador aos planos que tem para o presente e futuro mais próximo.

À cabeça, ficam desfeitas as dúvidas: Rui Rio vai ser o número dois pela lista do Porto às legislativas. "O lógico é que seja o segundo no Porto", afirma o líder social-democrata dizendo que serve de exemplo para dentro e fora do partido.

"Imagine uma lista onde entram 10. Às vezes, há uma guerra porque o quarto quer ser terceiro e o terceiro quer ser quarto. Assim, quando eu digo que não sou o primeiro (...), este exemplo também serve para as pessoas olharem e dizerem: 'alto lá, estou a ser um bocado ridículo se ando aqui a debater o quinto ou sexto quando sei que entram 10'", explica. "Coisa diferente é quando há disputas em que sabemos que metemos quatro ou cinco, é muito importante ser quarto ou quinto e aí compreendo que as pessoas lutem por aquilo que querem", considerou o presidente do PSD que não respondeu à polémica das listas e aos nomes que deixa de fora, em particular o do antigo líder parlamentar Hugo Soares. Essas dúvidas, esclarece Rui Rio, serão todas desfeitas no dia 30 de julho quando as listas forem votadas em Conselho Nacional.

Sem temer um aparelho partidário desmobilizado na campanha à luz das polémicas e dos "vetos", Rui Rio não deixa de frisar que tem em mãos uma grande tarefa de mobilização, principalmente quando as sondagens vêm com uma tendência de queda. Repetindo a máxima de que desvaloriza as sondagens, reconhece que estes estudos têm o poder de desanimar os partidos e, por isso mesmo, admite que "a principal tarefa é puxar pelo ânimo das pessoas".

E é nas sondagens que a entrevista toca na maçonaria. Sublinhando que a maçonaria é uma coisa que lhe causa "aflição" porque não gosta de sociedades secretas, Rui Rio realça que "alguns da maçonaria" o tomam como adversário e que a ligação não é difícil de fazer. "Se a sondagem vem de determinado sítio, depois olhamos quem é que automaticamente reage e dá força a essa sondagem... Fazendo estas ligações, ao fim de uns anos, começa-se a perceber a relação entre as pessoas", atira Rui Rio que, depois de conhecida a última sondagem da Pitagórica para a TSF e JN, tweetou sobre o assunto.

Dedo apontado ao governo

Sobre um dos temas do momento, precisamente no Twitter - rede social a que Rui Rio tem vindo a dar cada vez mais atenção -, o líder do PSD escreveu que "alijar responsabilidades no combate aos incêndios, tentando culpar os presidentes de câmara, particularmente o de Mação, merece a nossa reprovação unânime". A crítica ao governo está patente e, nesta entrevista à Rádio Observador, frisa esta ideia.

"Que o governo não conseguiu responder com a eficácia devida porque a área ardida é imensa, isso parece-me evidente. [Já sobre] o nível de responsabilidade, para ser sério, vou ter de ir lá, vou ter de ouvir. Outra coisa é aquilo que já posso dizer: não achei bonito o governo estar a sacudir a água do capote para cima dos autarcas", atira o presidente do PSD sobre as recentes declarações do primeiro-ministro e do ministro da Administração Interna, informando ainda que vai passar pela zona de Vila de Rei nos próximos dias.

Já sobre a greve dos motoristas prevista para agosto, Rio é mais cauteloso e espera para ver. "Tranquilo não estou de forma nenhuma, (...) espero que o governo tenha a eficácia devida e que no dia 12 de agosto não haja aqui um problema sério no país", diz.

Ainda na atualidade e sobre a hipótese de Mário Centeno poder vir a liderar o FMI, Rui Rio é taxativo: "Salvo situações absolutamente extraordinárias, eu apoio qualquer português que tenha condições para ocupar um cargo internacional de relevo. Se um português, no caso Mário Centeno, tiver reais possibilidade de substituir Christine Lagarde no FMI, com certeza que tem o meu apoio". Se teria a pasta das Finanças num governo PSD, aí já não era uma opção.

E se for primeiro-ministro?

Ao longo das últimas semanas, Rui Rio tem vindo a apresentar, por setores, as linhas programáticas com que o PSD se vai apresentar aos portugueses nas legislativas de 2019. À partida, há a promessa de um corte de 3.700 milhões nos impostos e a estimativa de crescimento económico de 2% no próximo ano e que continua a subir até aos 2,7% em 2023.

Nesta entrevista à Rádio Observador, o líder do PSD não se alongou muito nas propostas mas insistiu na ideia de que são necessários "acordos alargados" nas grandes matérias. E no tema quente "funcionários públicos"?Não se comprometendo com aumentos diretos na função pública além da taxa de inflação - "depende daquilo que for a nossa capacidade na contenção da despesa corrente" - Rui Rio defende uma espécie de auditoria de gestão de recursos humanos na administração pública.

Lembrando a reestruturação que fez na Câmara do Porto quando foi presidente, extrapola para a realidade nacional (com as devidas ressalvas) para dizer que "pode não ter de reduzir [a administração pública], mas pode e deve redimensionar". "No fim, pode ser até rearrumar. Pode até nem reduzir funcionários públicos, até pode aumentar um pouco. Mas, acima de tudo o que aqui é mais importante é a arrumação dos funcionários públicos" diz Rui Rio dando um exemplo: "os professores, temos professores a mais, infelizmente, porque significa que temos um problema de natalidade".

Crente da "desconcentração e descentralização do país", abre a porta ao debate da regionalização. Mas se é a favor ou não, Rui Rio diz que não sabe. "Se fossemos repetir o referendo da regionalização de há 20 anos, eu votei não. Votei não porque era totalmente contra a regionalização. Se agora repetíssemos o mesmo referendo, eu não sou totalmente contra a regionalização, mas votava não porque aquilo não era nada, era retalhar o país", nota.

E se não for primeiro-ministro? (leia-se: "se perder as eleições")

É unânime que seria tolice partir para umas eleições sem vontade e pensamento na vitória e, como Rio fez questão de dizer, não é tolo. Por isso mesmo, a madrugada de 7 de outubro mantém-se uma incógnita.

O tema já foi levantado outras vezes e nunca se ouviu o líder do PSD traçar qualquer linha vermelha sobre resultados. Desta vez, não foi diferente: Rui Rio diz que quando chegar a altura avaliará o futuro enquanto líder do partido. "Admito tudo e mais alguma coisa, mas não é para pensar agora. Vou para a eleição fazer o melhor possível e o melhor possível é ganhar, se não for assim, logo se vê...", conclui.

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