As voltas e reviravoltas do voto do PSD Madeira na proposta do Bloco de Esquerda

PSD Madeira foi fundamental para aprovação da proposta. Deputados votaram contra e depois mudaram sentido de voto para acompanhar bancada social-democrata. Líder parlamentar recordou aos deputados, por e-mail, que havia disciplina de voto.

A favor, contra e a favor novamente, pelo meio uma proposta aprovada que foi chumbada e aprovada finalmente. As reviravoltas do PSD, no caso dos deputados da Madeira, foram essenciais para que fosse viabilizada a proposta do Bloco de Esquerda (BE) para suspender a transferência de 476 milhões para o Novo Banco.

Mas a história começa mais cedo com o deputado Álvaro Almeida a dizer que não compreendia a indicação de voto do PSD e que "a aprovação da proposta do BE pode impedir o Estado Português de cumprir com as suas obrigações contratuais".

Num email enviado com o conhecimento de toda a bancada do PSD e a que a TSF teve acesso, Álvaro Almeida que tem sido crítico de Rui Rio nos últimos tempos, pedia para que o partido reconsiderasse a votação e, caso não o fizesse, que o libertassem da obrigação da disciplina de voto.

Eis que às 10h43 o líder parlamentar Adão Silva respondeu citando o regulamento interno e lembrando em letras maiúsculas que "haverá disciplina de voto". A missiva tinha como destinatário Álvaro Almeida, mas servia de lembrete a todos os deputados, incluindo os do PSD Madeira.

Com o governo a tentar tudo por tudo para que a proposta do Bloco não fosse viabilizada, os deputados do PSD Madeira fizeram um pedido ao Presidente da Assembleia da República para que pudessem estar no hemiciclo no momento da votação porque iriam votar desalinhados da bancada.

E assim foi. Num primeiro momento, contabilizando todos os deputados, com os votos do PSD Madeira ao lado do Governo, a proposta acabaria por ser chumbada. Breves segundos de alívio na bancada do governo, mas eis que Sara Madruga da Costa levanta-se, com o telemóvel na mão, e muda o sentido de voto para acompanhar o resto da bancada.

Volta a tensão ao hemiciclo. Ferro Rodrigues questiona o pedido dos deputados que eram contra e agora a favor e a deputada, continuando ao telefone, pede um minuto e finalmente assume que o voto dos três deputados do PSD Madeira era definitivamente a favor da proposta bloquista, permitindo assim a sua viabilização (que entretanto contou também com o voto favorável de André Ventura que já tinha votado contra e já se tinha abstido nesta mesma proposta).

O facto de o PSD Madeira votar desalinhado da bancada não é inédito. Aliás, no Orçamento para 2020, os três deputados acataram a indicação do líder do partido no arquipélago, Miguel Albuquerque, e abstiveram-se, contrariando a posição decretada por Rui Rio.

Desta vez, na 25.ª hora, o PSD Madeira acabou mesmo por ceder depois de perceber que seriam eles a salvar o governo de ver viabilizada a proposta do Bloco de Esquerda, seguindo assim a disciplina de voto imposta pela direção social-democrata.

A deputada do PSD Madeira, Sara Madruga da Costa, que tem sido a porta-voz dos deputados do arquipélago nas votações do Orçamento, questionada pela TSF para se explicar sobre o sucedido, não fez quaisquer comentários.

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