"Até agora não vi nenhum fascismo em André Ventura"

Paulo Rangel alerta para os riscos daquilo a que chama a "diabolização" do Chega e avisa que o PSD "não deve, de maneira nenhuma, ter o partido de André Ventura como muleta".

Populista sim. Fascista, até agora, ainda não. Paulo Rangel, eurodeputado do PSD, não encontra no discurso de André Ventura "nenhum fascismo - até agora, não quer dizer que no futuro não seja assim" e, sobretudo, discorda dos que procuram diabolizar o deputado único do Chega porque "é um erro tático" que não se justifica. Convidado da Entrevista TSF/DN desta semana, o eurodeputado lembra que as pessoas têm que ser "lidas por aquilo que elas dizem e por aquilo que elas fazem e não por aquilo que nos dá jeito".

Paulo Rangel defende que fenómenos populistas, como o Chega, devem ser combatidos "com distância" e garante que não se revê "numa agenda que seja uma agenda xenófoba, mais conservadora nos valores", mas sim "numa agenda que seja inclusiva nos valores." O eurodeputado recorre ao exemplo francês, italiano e espanhol, para afirmar categoricamente que André Ventura "está a copiar um pouco o Vox, ainda que não tenha passado as linhas vermelhas."

Sobre a eventual necessidade do PSD, um dia, vir a precisar do Chega para voltar a governar, Paulo Rangel afasta de imediato essa possibilidade: "O PSD aí deve ser muito claro e não deve, de maneira nenhuma, ter o Chega como uma muleta." Já o Iniciativa Liberal (IL), é um caso completamente diferente. O eurodeputado elogia o partido de João Cotrim de Figueiredo e considera que "é bom haver um partido liberal", ainda que "em Portugal, o eleitorado" não seja liberal porque "as pessoas, em geral, esperam um papel do Estado." E, no caso do Iniciativa Liberal, Rangel considera que a postura do PSD deve ser completamente diferente. Apesar de achar que "não há grande espaço para uma agenda liberal em Portugal", o ex-líder da bancada social-democrata considera que o IL "é um partido com o qual o PSD deve - com o CDS e com o Iniciativa Liberal em particular - organizar um amplo diálogo." E essa, pode mesmo ser a próxima fase, como tem dito o social-democrata Miguel Morgado, quando defende que "o caminho certo é abrir esse diálogo e até pontes para haver uma frente, um bloco, uma aliança, no fundo retomar o espírito da Aliança Democrática."

Chega vai crescer

Do "ponto de observação privilegiado" onde Paulo Rangel considera estar - o Parlamento Europeu -, é possível observar o fenómeno do crescimento dos populismos um pouco por toda a Europa. Rangel não tem dúvidas que, partidos como o Chega "têm margem para crescer" e aproveita para criticar Ferro Rodrigues, presidente da Assembleia da República, pela reprimenda que deu a André Ventura a propósito do uso da palavra vergonha. Na Entrevista TSF/DN o eurodeputado considera que a segunda figura do Estado prestou "um mau" serviço e lembra outros presidentes da Assembleia da República como Almeida Santos, Jaime Gama, Mota Amaral ou Assunção Esteves, que eram pessoas de uma independência, de uma imparcialidade total" para criticar Ferro Rodrigues por ter "umas saídas tipicamente da sua família política."

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