Novo Banco é o elefante na sala mas não pode "penalizar mais os portugueses"

Nas semanas decisivas para a negociação do OE 2021, a TSF entrevista os líderes dos principais grupos parlamentares. Esta segunda-feira é a vez do Partido Socialista.

Outra vez sem maioria, o PS tenta aprovar o segundo Orçamento da legislatura. Sem compromissos escritos, por agora, apenas sobra a disponibilidade para o diálogo já manifestada por várias vozes socialistas. Mas até onde pode ir a convergência?

Ana Catarina Mendes, a líder da bancada do PS desde o início da legislatura, entra agora na segunda sessão e no terceiro orçamento, se contarmos com o suplementar, por causa da pandemia. Questionada sobre quem vai viabilizar este novo Orçamento do Estado, a deputada revelou esperar que sejam os mesmos que estiveram com o seu partido na devolução de rendimentos.

"Espero que os parceiros à esquerda parlamentar possam estar connosco de novo. Num ano particularmente dramático para os portugueses, estamos a tratar da sobrevivência da vida de qualidade e capacidade de vencermos esta crise em nome dos portugueses. Não quero acreditar que um caminho de boa memória para os portugueses seja interrompido não só pela pandemia, mas também pela falta de entendimento à esquerda", explicou Ana Catarina Mendes.

Ainda na semana passada, o Presidente da República chegou a pronunciar-se duas vezes sobre esta matéria. Primeiro instou a esquerda a contribuir para a viabilização do Orçamento, depois chegou a convocar o PSD para uma eventual abstenção que viabilizasse a proposta, invocando o exemplo dele próprio, quando liderava o PSD e contribuiu para a aprovação de dois orçamentos do então primeiro-ministro António Guterres.

Apesar desta mensagem de Marcelo Rebelo de Sousa ao PSD, a deputada diz não saber muito que caminho os social-democratas querem trilhar.

"Ouvimos Rui Rio lançar outra vez o papão do aumento do salário mínimo e consequente descalabro da economia. Está provado, nestes cinco anos, que aumentámos o salário mínimo, a economia cresceu e criaram-se 150 mil novos empregos em Portugal. Não percebo esta atitude de Rui Rio, mas há-de ter uma estratégia", sublinhou a socialista.

Novo Banco. PS quer cumprir contrato sem penalizar os portugueses

A questão do Novo Banco pode ser determinante para obter a viabilização por parte de alguns partidos à esquerda, como é o caso do Bloco. Sobre isso, a líder parlamentar do PS reconhece que passar ativos tóxicos para o Novo Banco foi desastroso e garante que o Governo não quer que a banca penalize mais os portugueses.

"Quando se passaram ativos tóxicos para o Novo Banco, a resolução foi desastrosa. A nacionalização naquela altura demonstrou-se que era um desastre económico e financeiro para Portugal, mas isso não exclui que nos possamos indignar com o dinheiro que entra no Novo Banco. Se o Estado não cumprir o seu contrato vai entrar numa crise financeira que se vai somar à crise social. Temos de ter consciência de que está a ser feito tudo o que é possível para que, cumprindo o contrato, não se penalize mais os portugueses", afirmou a líder parlamentar socialista.

Já sobre o facto de o PS não se unir em torno de uma candidatura às eleições presidenciais desde Jorge Sampaio, a deputada reforça que a função presidencial não é uma função partidária e que qualquer eleito para o cargo tem de ser o Presidente de todos os portugueses.

"Mário Soares disse isso, Jorge Sampaio dizia isso. Temos de ter atenção de que não podemos estar uns contra os outros porque, caso contrário, não evoluímos. Uma coisa é a nossa divergência saudável, que faz das democracias modernas boas democracias, outra coisa é estarmos de costas viradas uns para os outros. Marcelo Rebelo de Sousa, ao longo deste seu primeiro mandato, foi um fator de estabilidade, puxou Portugal para cima", acrescentou Ana Catarina Mendes.

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