Balsemão repetia jantar de Natal com Marcelo? Sim, se o PR "estivesse sozinho"

Fundador do PSD recordou um Natal em que, estando Marcelo Rebelo de Sousa sozinho, o convidou a juntar-se ao então primeiro-ministro em São Bento.

Francisco Pinto Balsemão recordou esta quinta-feira um jantar de Natal que passou com a sua mulher e Marcelo Rebelo de Sousa em São Bento quando era primeiro-ministro, situação que admitiu repetir, se o Presidente da República "estivesse sozinho".

Francisco Pinto Balsemão falava aos jornalistas no final de uma cerimónia de homenagem ao VII Governo Constitucional, que chefiou, em 1981, nos jardins da residência oficial do primeiro-ministro, em São Bento, Lisboa.

Questionado se fez as pazes com Marcelo Rebelo de Sousa, a quem deixa críticas no seu livro "Memórias", e que esteve presente no início desta homenagem, o fundador do PSD e presidente do grupo Impresa respondeu: "Estivemos à conversa. Não estávamos em guerra. Sempre nos falámos".

Balsemão acrescentou que a conversa com o chefe de Estado no interior do Palacete de São Bento antes desta cerimónia "correu muito bem" e referiu que a sua mulher, Mercedes Balsemão, lembrou "os poucos tempos" que passaram nesta residência oficial, quando estavam com obras em casa.

"O doutor Marcelo Rebelo de Sousa veio aqui um Natal jantar connosco. Estava sozinho, veio jantar connosco", recordou o antigo primeiro-ministro, que chefiou o VII e o VIII governos constitucionais, entre 1981 e 1983.

Interrogado se voltaria a jantar com o atual Presidente da República num próximo Natal, Balsemão respondeu: "Se ele estivesse sozinho, com certeza".

O fundador do Expresso e presidente do grupo Impresa declarou-se "contente" e "muito agradecido" por esta homenagem promovida pelo primeiro-ministro, António Costa.

O Presidente da República chegou pouco antes das 17:00 e esteve reunido numa sala do Palacete de São Bento com Francisco Pinto Balsemão e a sua mulher, Mercedes Balsemão, com o antigo presidente do Governo Regional dos Açores Mota Amaral, o presidente da Assembleia da República, Ferro Rodrigues, e o primeiro-ministro, António Costa.

Perto das 17h10, saíram do interior edifício, um por um, para os jardins de São Bento. Marcelo Rebelo de Sousa aproximou-se então de Balsemão, falou-lhe ao ouvido e retirou-se logo de seguida -- como tinha feito em julho de 2016, numa cerimónia semelhante, no mesmo local, para assinalar os 40 anos I Governo Constitucional, chefiado por Mário Soares.

Marcelo Rebelo de Sousa fez parte do VIII Governo Constitucional, o segundo chefiado por Balsemão, como secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros e ministro dos Assuntos Parlamentares.

Em entrevista a Fátima Campos Ferreira para o programa da RTP "Primeira Pessoa", transmitida em 30 de agosto, a propósito do seu livro "Memórias", editado pela Porto Editora, Francisco Pinto Balsemão disse não ter esquecido a saída de Marcelo Rebelo de Sousa do seu segundo Governo "na semana imediatamente às eleições autárquicas".

"Apresentou a demissão, ficou de não dizer nada, e disse - tão simples como isso", declarou. "Essa parte eu não posso perdoar", acrescentou Balsemão. Questionado sobre o estilo de atuação de Marcelo Rebelo de Sousa no meio político, respondeu: "Por que é que o escorpião da lenda mata a rã?".

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