BE acusa Governo de "fugir" para a direita. Não há razões que justifiquem "quebra de salários"

Pedro Filipe Soares, líder parlamentar do BE, acusa António Costa de falhar na promessa de subida de rendimentos. Diálogo com PSD sobre aeroporto e reforma na segurança social são exemplos da "reorientação" do PS para a direita.

Se o primeiro-ministro rejeita aumentos salariais na função pública em linha com a inflação prevista de 7,4% para 2022, o Bloco de Esquerda considera que cai por terra a promessa de que, no Governo, o PS teria "uma política para elevação dos rendimentos das famílias."

Entrevistado pela TSF, o líder parlamentar bloquista Pedro Filipe Soares lembra que os salários da administração pública servem de referência para o privado.

"Quando o primeiro-ministro diz que prevê uma inflação de 7,4% mas que os aumentos salariais nunca passarão o teto de 2%, está a dizer que, de facto, de 2022 para 2023 haverá uma perda de mais de meio salário no poder de compra dos trabalhadores da administração pública," contabiliza Pedro Filipe Soares acusando o executivo de não proteger os rendimentos das famílias em tempos de inflação: "é absolutamente incompreensível porque não há nem razões económica, nem razão política e, muito menos, razão social para fazer esta escolha."

Pedro Filipe Soares considera que o Governo de maioria absoluta do PS está a "reorientar-se" para a direita.

"O diálogo que o governo pretende é com o Partido Social Democrata e, ainda ontem, isso ficou visível nas declarações do primeiro-ministro quando refere o aeroporto de Lisboa e diz que é com o Partido Social Democrata que vai dialogar, ou quando abre o dossier de discussão sobre formas de cortar nos direitos futuros de pensionistas com a revisão de toda a lei de bases da segurança social que é um sonho da direita" critica o líder da bancada do Bloco para concluir que "o que está a nortear esta maioria absoluta é uma reorientação do Partido Socialista para um espaço mais à direita do que estava anteriormente."

Pouco crente na disponibilidade do PS para dialogar com a esquerda, Pedro Filipe Soares lembra que "noutras maiorias absolutas anteriores foram iniciadas com promessas de diálogo mas depois são transformadas em rolos compressores da vontade maioritária e esses rolos compressores são tão mais fortes, quanto mais falta a razão à governação."

Ao mesmo tempo que critica o "chicote da maioria absoluta", o líder parlamentar do BE, vinca a a questão da tributação sobre os chamados lucros extraordinários para acusar o executivo do PS de ser "sempre o último a agir na Europa" e a fazer "em pequenino, o que os outros fazem de forma mais forte e mais capaz." Numa referência às recentes medidas para mitigar os efeitos da inflação, Pedro Filipe Soares ironiza: "nós percebemos que é, afinal, um pacotinho de trazer no bolso."

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