BE admite quarta vaga e pede medidas prudentes para "período de transição"

Catarina Martins critica o Governo por nada fazer quanto ao atraso na entrega de vacinas, numa altura em que Portugal tem a presidência rotativa da União Europeia.

A líder do Bloco de Esquerda (BE) admite que Portugal pode já estar numa quarta vaga da pandemia. Catarina Martins lembra que com a vacinação o Governo não deve voltar a parar a economia, mas impor "medidas de transição".

Em declarações aos jornalistas, depois de uma reunião com profissionais de saúde, a coordenadora do BE defende contenção quando aos novos casos, mas permitir que a economia continue o processo de retoma.

"Não estarei a exagerar se disser que estamos numa quarta vaga pandémica. Esta vaga tem características diferentes porque temos um processo de vacinação que está a andar, o que nos mostra uma luz ao fundo do túnel", explica.

Catarina Martins aconselha ao Governo que implemente "medidas de transição", com atividades ao ar livre, mas sem a concentração de pessoas. "É preciso alguma pedagogia para termos alguma normalidade, em condições diferentes. Temos apelado a que sejam encontradas soluções que permitam um período de transição", aponta.

A líder do Bloco de Esquerda critica ainda o Governo por nada fazer quanto ao atraso na entrega de vacinas, numa altura em que Portugal tem a presidência rotativa da União Europeia.

"As farmacêuticas não enviaram as vacinas que estavam contratadas. É estranho que Portugal nunca tenha tido uma palavra forte com as farmacêuticas. O processo de vacinação não está a ater a velocidade que podia e devia ter", sublinha.

Na quarta-feira, o coordenador da task-force para o Plano de Vacinação contra a Covid-19, Henrique Gouveia e Melo, admitiu que meta de vacinar 70% da população portuguesa no início de agosto pode estar comprometida pelo atraso na entrega de vacinas.

"É prudente dizer que a meta pode atrasar-se por 15 dias, se continuarem a existir sucessivos atrasos", disse o vice-almirante Gouveia e Melo.

O BE esteve reunido com especialistas e profissionais de saúde para discutir a pandemia e o futuro do Serviço Nacional de Saúde (SNS). Catarina Martins compromete-se a apresentar ainda nesta sessão legislativa uma proposta de estatuto do SNS.

"Assumimos o compromisso de apresentar na Assembleia da República uma proposta de estatuto do SNS, já que o Governo não o faz. Faremos isso ao mesmo tempo que apresentaremos uma proposta de recuperação do SNS", adiantou.

Catarina Martins lembra que Portugal "está há mais de um ano em pandemia", com profissionais de saúde exaustos: "Perante uma nova vaga, a exaustão dos profissionais de saúde é ainda mais preocupante".

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