BE diz que Governo mentiu sobre a atualização de pensões e pede recuo das medidas

A coordenadora do Bloco de Esquerda acusa o Governo de ter mentido mentir em relação à sustentabilidade da Segurança Social. Catarina Martins entende que o Governo deve pedir desculpa.

Catarina Martins considera "que não há nenhuma razão para que os pensionistas não tenham a pensão a que têm direito, atualizada pela inflação". A coordenadora do Bloco de Esquerda justifica a ideia com o relatório do Orçamento de Estado, que nota um aumento das receitas da Segurança Social e do fundo de estabilidade.

"O Governo mentiu quando mandou as contas à Assembleia da República, mas agora vieram os dados certos do Centro de Estudos da Segurança Social. Os dados mostram que as receitas da Segurança Social estão mais dois mil milhões de euros acima do que se esperava", disse Catarina Martins aos jornalistas no final de um encontro com a Associação de Aposentados, Pensionistas e Reformados (APRe!), em Coimbra.

Para Catarina Martins, "quando o Governo diz que precisava mesmo de poupar mil milhões nas pensões, fazendo este corte na atualização próximo ano, é mentira".

Tendo em conta os dados, a coordenadora do Bloco de Esquerda espera que "o Governo peça desculpa por ter dito que precisava de cortar as pensões por causa das contas da segurança social". O Bloco de Esquerda deseja ainda "que o ministro das finanças diga que vai atualizar as pensões à inflação".

Questionada sobre a intenção de voto do Bloco de Esquerda, a coordenadora nota que haverá uma reunião da direção. Ainda assim, recusa dar voto favorável.

"O que acham de um Orçamento que dá borlas fiscais gigantescas às maiores empresas, que cria uma espécie de paraíso fiscal para ricos que queiram vir para o nosso país, ao mesmo tempo que quem vive do seu salário e da sua pensão tem perda de poder compra? Como pode votar um partido que defende quem vive do seu trabalho?", afirma.

Catarina Martins assegura que o Bloco de Esquerda vai apresentar propostas ao Orçamento de Estado, enumerando questões como o custo de energia e dos bens essenciais, apoios sociais ou o Serviço Nacional de Saúde.

No final da reunião com o Bloco de Esquerda, a presidente da APRe!, Rosário Gama, mostrou também preocupações com os aumentos das pensões previstos para 2023, que são abaixo do aumento da função pública, e que fez chegar aos membros do partido.

Sobre a meia pensão a atribuir este mês, Rosário Gama diz que é "presente envenenado".

"O nível de vida está impossível. As pensões não comportam estes aumentos todos e as pessoas ficaram satisfeitas", sublinhando "ser inédito" haver uma soma de percentagens de dois anos.

A APRE vai fazer chegar as suas preocupações ao primeiro-ministro. A associação entrega sexta-feira uma carta a António Costa em que abordará também a questão de "dívidas que estão a ser cobradas às viúvas e aos viúvos que têm pensões de viuvez, algumas delas no valor de mais de 30 mil euros", acrescenta Rosário Gama.

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