BE e PCP lembram Sampaio como "homem de coragem" e "profundamente coerente"

As inéditas coligações pré-eleitorais autárquicas à esquerda com que Jorge Sampaio foi eleito (1989) e reeleito (1993) presidente da Câmara Municipal de Lisboa, foram abordadas pelos líderes dos dois partidos.

Os líderes de BE e PCP prestaram a sua homenagem a Jorge Sampaio, lembrando-o como um "homem de coragem" e "profundamente coerente", mencionando ainda as "pontes à esquerda" feitas pelo ex-Presidente.

Catarina Martins e Jerónimo de Sousa chegaram ambos ao antigo Museu dos Coches, em Belém, Lisboa, pelas 12h00, onde decorre este sábado o velório do antigo Presidente da República Jorge Sampaio e prestaram declarações aos jornalistas meia hora depois.

"Jorge Sampaio foi, durante o seu percurso, um democrata convicto, um homem de coragem particularmente pela sua ação, pela sua intervenção nos tribunais plenários fascistas, na defesa de muitos democratas antifascistas que eram vítimas da perseguição", considerou Jerónimo de Sousa.

Catarina Martins destacou a exigência que Sampaio deixou "ao país, lembrando que a solidariedade não é uma opção, é um dever" e destacando-o como um homem com um legado "profundamente coerente".

As inéditas coligações pré-eleitorais autárquicas à esquerda com que Jorge Sampaio foi eleito (1989) e reeleito (1993) presidente da Câmara Municipal de Lisboa, foram abordadas pelos líderes dos dois partidos, que nos últimos anos têm sido parceiros políticos do Governo do PS.

Jerónimo de Sousa lembrou esse "momento de convergência na coligação 'Por Lisboa'", entre PS e PCP, em 1989, "que levou à vitória e à eleição da presidência de Jorge Sampaio".

"Creio que foi de facto um momento importante, era necessário afastar a gestão de direita que durante anos marcou aqui a cidade, e, simultaneamente, também demonstrar uma grande disponibilidade, designadamente do PCP - lembrar que na altura a CDU tinha 29% e o PS 18% - e isso não impediu de facto a posição relevante e decisiva nessa altura em Lisboa, a CDU tinha cinco mandatos e naturalmente determinou a solução encontrada", vincou.

Para Jerónimo de Sousa, também não foi "menos relevante" a posição do partido em relação às eleições presidenciais. Jerónimo de Sousa era, em 1996, candidato pelo PCP às presidenciais, sob a liderança de Carlos Carvalhas, e desistiu a favor de Jorge Sampaio - que viria a ser eleito nesse ano pela primeira vez para a Presidência da República.

Também Catarina Martins destacou as "pontes à esquerda" protagonizadas por Jorge Sampaio.

"Na democracia, fez pontes à esquerda que permitiram projetos que mobilizaram todo o país contra a pobreza para uma nova ideia de democracia que o levou, aliás, às vitórias na Câmara Municipal de Lisboa e para a Presidência da República", sublinhou.

A coordenadora do Bloco de Esquerda disse ainda que Jorge Sampaio, "até ao final dos seus dias foi uma voz por esta ideia de Portugal como um país aberto, solidário, cosmopolita, respeitador dos direitos humanos e envolveu-se em todas as batalhas muito para lá dos cargos institucionais que ocupou".

"Estamos aqui com sentimento de perda. A lei da vida é assim, mas de qualquer forma os portugueses têm razão para lembrar esta figura ímpar que foi Jorge Sampaio", destacou ainda Jerónimo de Sousa.

Jorge Sampaio, antigo secretário-geral do PS (1989/1992) e Presidente da República (1996/2006), morreu na sexta-feira, aos 81 anos, no Hospital de Santa Cruz, em Carnaxide, Oeiras, onde estava internado desde 27 de agosto, na sequência de dificuldades respiratórias.

Para este sábado está previsto o velório e o funeral, com honras de Estado, realiza-se no domingo, antecedido por uma homenagem nacional no Mosteiro dos Jerónimos, em Lisboa.

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