BE insiste em mais contratações nas escolas e aponta equívocos a ministra

Catarina Martins marcou arranque das aulas presenciais do 2.º e 3.º ciclos com um apelo ao primeiro-ministro: mais profissionais nas escolas. Lembra ainda os equívocos da ministra do Trabalho sobre apoios sociais e acena com negociação do Orçamento do Estado.

É ao fundo do corredor, ao lado de umas escadas, que estão alguns caixotes ainda por abrir. Lá dentro, computadores para entregar aos alunos por causa do ensino à distância. "Agiu-se tarde", lembrou Catarina Martins que não quer que se volte a atacar problemas tarde demais e, por isso, deixa o apelo para o reforço de pessoal docente e não-docente.

Depois de reconhecer que o país "deve um enorme agradecimento à forma como a comunidade escolar tem aguentado o ano letivo", a coordenadora do Bloco de Esquerda deixa um apelo dirigido a António Costa: "Que este agradecimento seja concretizado na contratação rápida de mais gente para as escolas".

De visita ao agrupamento de escolas da Portela e Moscavide, no concelho de Loures, Catarina Martins nota que é necessário "um concurso extraordinário de professores que permita às escolas ter condições para recuperar as aprendizagens". Mas não só: "precisamos também de muitos outros profissionais que são essenciais à comunidade escolar, à sua recuperação, até à recuperação dos índices de saúde mental".

Na Escola Secundária da Portela, por exemplo, o bar não funciona, a vigilância também está precária e tudo porque não há assistentes operacionais para dar vazão a tudo. Por isso, se no caso dos professores não dá para os colocar já ao serviço das escolas por causa dos concursos, no caso dos funcionários é possível "no imediato", deixando o apelo ao cuidado de São Bento.

Ministra equivocada?

Com o vai-não-vai dos apoios sociais na semana passada, o tema ainda parece estar quente na relação do governo com os partidos. Em plena Sexta-feira Santa, a ministra do Trabalho deu uma conferência de imprensa para dizer que o Parlamento aprovou uma "mudança radical" e que, ao ter como referência 2019, os apoios poderiam implicar prejuízo para os trabalhadores independentes.

Agora, questionada pelos jornalistas, Catarina Martins não esconde a acidez. "Julgo que a ministra do Trabalho tem alguns equívocos sobre os apoios sociais e nomeadamente sobre alguns conceitos sobre o que são apoios contributivos, o que são apoios sociais, como é que são aferidos rendimentos e descontos. Mas julgo que a senhora ministra com os serviços do ministério conseguirá esclarecer tudo isso", ironiza lembrando que "a lei está em vigor" e que os apoios "têm de ser pagos".

Já sobre futuros Orçamentos e com os desejos de estabilidade do Presidente da República em fundo, Catarina Martins questiona porque é que a legislatura não há de durar até ao fim e nota que, da parte do Bloco, há disponibilidade para negociar, desde que sejam soluções efetivas.

Até porque o tempo, diz Catarina Martins, veio dar razão à bancada mais à esquerda. "O governo já reconheceu que o seu Orçamento falhou, portanto o que é preciso é saber o que quer fazer agora. O Bloco de Esquerda mantém a mesma disponibilidade", nota Catarina Martins lembrando que, no caso do Novo Banco, dos apoios sociais e do reforço de profissionais no SNS, o governo teve de recuar na sua posição inicial.

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