BE mantém prioridades na negociação do próximo Orçamento do Estado

Líder bloquista destacou os problemas na saúde, trabalho e proteção social.

O Bloco de Esquerda vai manter as prioridades nas negociações com o Governo para o próximo Orçamento do Estado. Depois de ter votado contra o último documento, o partido apela a mais condições para o Serviço Nacional de Saúde, até porque o exercício de 2021, defende Catarina Martins, não respondeu às necessidades do país e a "política de mínimos saiu muito cara".

"Não respondeu à exaustão dos profissionais do SNS, não fixou profissionais, não respondeu às necessidades de proteção social - deixou tanta gente desprotegida no tempo da pandemia -, não respondeu do ponto de vista do trabalho, com empresas lucrativas - que até lucraram mais no tempo da pandemia - a fazerem despedimentos coletivos e a substituírem trabalhadores com vínculo e anos de carreira por trabalhadores em outsourcing, com salário mínimo e sem direitos nenhuns", assinalou a líder bloquista.

Questionada sobre se a reunião com o Governo para as negociações do Orçamento do Estado para 2022 será na sexta-feira, Catarina Martins atirou a resposta para o Governo que, "se quiser divulgar as datas das reuniões, o fará".

"Eu não tenho feito, nunca o fiz, como sabem. Vamos ter uma reunião em breve, sim, isso é público. O próprio Governo já o divulgou e as prioridades do Bloco de Esquerda também são conhecidas: saúde, trabalho e proteção social", respondeu aos jornalistas Catarina Martins no final de uma visita à primeira sala fixa de consumo assistido de drogas em Portugal, em Lisboa.

Sobre as linhas de orientação para as negociações, explicou que o que o Bloco de Esquerda "dizia há um ano mantém-se como absolutamente urgente", pelo que vai "voltar a apresentar as mesmas prioridades".

Para a bloquista, "a política de mínimos" que o Governo tem levado a cabo "saiu muito cara ao país", dando o exemplo do adiamento dos "investimentos necessários".

"Quando nós dizíamos é preciso alargar a testagem já e aumentar a saúde pública já para prevenir nova vaga, o Governo dizia o ano passado: 'não, este verão já vai ser de retoma' e não preparou a segunda vaga, não preparou a terceira, não preparou a quarta. Adiou sempre os investimentos", criticou.

Cada vez que os investimentos são adiados, segundo a coordenadora do BE, "Portugal fica com um enorme problema sanitário, social e económico".

"Fazermos de conta que este não é um problema prolongado, com efeitos prolongados que precisa de investimento, fazer de Portugal um dos países da UE que menos gastou na resposta à pandemia, não faz nenhum bem à nossa economia nem às nossas contas públicas", condenou.

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