BE quer milhões de Bruxelas para contratação de profissionais de saúde

Catarina Martins lamenta que o plano de recuperação apenas aponte gastos para as infraestrutuas.

Os partidos reuniram-se, esta segunda-feira, com António Costa, para a apresentação do Plano de Recuperação e Resiliência elaborado pelo empresário António Costa Silva. A conversa em São Bento foi (ou devia ter sido) sobre o plano para a década, mas o Bloco de Esquerda tem uma inquietação maior e para o imediato: as contratações para o Serviço Nacional de Saúde.

À saída da reunião com o Governo, Catarina Martins sublinhou que o plano desenhado, além de trabalhar em cenários hipotéticos porque ainda falta definir os moldes do financiamento, prevê gastos na saúde para infraestruturas, mas não aborda as contratações.

Desde logo, a coordenadora do Bloco lembra que "infraestruturas sem profissionais não garante a saúde a ninguém". E é aí que a bloquista pretende fazer valer o ponto de vista: têm de ser cumpridas as contratações de profissionais que já estavam previstas no Orçamento em vigor.

Sublinhando que há menos médicos a trabalhar agora do que há um ano e que os profissionais contratados de forma precária para atender às necessidades durante a pandemia já são menos do que no início da crise sanitária, Catarina Martins não desarma do pedido para concretizar este orçamento até porque esse foi um ponto assente nas negociações passadas.

"Nenhum de nós sabia que viria uma pandemia, mas nós no BE já tínhamos detetado a fragilidade do SNS, o seu papel fundamental na vida das populações e a necessidade de o reforçar. Foi reforçado do ponto de vista financeiro, foi reforçado também do ponto de vista de contratação de pessoal, mas com a pandemia de Covid, o governo nunca avançou de facto com estas contratações", começa por notar Catarina Martins.

"Estamos nesta situação muito complicada de, não tendo sido executado o que estava no Orçamento para 2020, termos hoje menos médicos no SNS do que tínhamos há um ano e dos profissionais que foram contratados para responder à Covid, nomeadamente enfermeiros e operacionais, temos neste momento menos no SNS do que na primeira fase da pandemia e com profissionais exaustos porque não tiveram férias e fizeram milhões de horas extraordinárias, literalmente milhões". Diz a coordenadora do Bloco que na primeira fase havia um reforço com contratos de quatro meses de 4700 profissionais e que hoje são 4200.

"Não tem muito sentido dizer que algo que foi aprovado no Orçamento do ano passado é uma condição deste Orçamento, tem é de ser cumprido", rejeitando falar em linhas vermelhas.

Retomando o plano para a década, Catarina Martins sublinha que todo ele ainda é hipotético e, portanto, espera para ver: "Julgamos que está ainda numa fase preliminar, mas como digo, estamos a trabalhar num cenário hipotético e esperamos que haja concretizações e densificações".

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