Bloco central? Moedas defende que distinguir PS e PSD é "fundamental para a democracia"

No aniversário de Mário Soares, o autarca de Lisboa deu o exemplo do pai da democracia que "era um democrata puro".

Carlos Moedas defende que é essencial distinguir PS e PSD, numa altura em que Rui Rio já admitiu um viabilizar um Governo do PS, num possível bloco central. Numa cerimónia na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, o presidente da câmara de Lisboa utilizou o exemplo do pai da democracia que no pós-ditadura recusou unir o partido socialista e o social-democrata.

Mário Soares faria esta terça-feira 97 anos, e apesar de famílias políticas distintas, Carlos Moedas sublinhou que "todos, de esquerda ou de direita, colheram lições do seu legado e da sua vida". Sem usar as palavras "bloco central", o autarca defendeu que os dois maiores partidos devem estar em campos diferentes, tal como fez o pai da democracia.

"Ele era, no fundo, um democrata puro. Entendia que essa diferença, entre dois partidos, era essencial. Uma diferença tão difícil de explicar na Europa, quando dizemos que em Portugal há um partido social-democrata e outro socialista. Mas essa diferença foi fundamental para a nossa democracia", notou.

O autarca acrescentou que diferenciar os dois partidos continua a ser "essencial para a nossa democracia". Ainda assim, faltou dizer que mesmo distinguindo PS e PSD, Mário Soares avançou com um bloco central, quando em 1983 precisou de Mota Pinto para governar.

Tempos com o Fundo Monetário Internacional (FMI) à porta, pela primeira vez, e em 2011 foi Carlos Moedas que negociou o resgate de Portugal. Mário Soares telefonou ao então secretário de Estado Adjunto do primeiro-ministro, "dizendo tudo o que achava o que tínhamos feito mal, mas destacando a coragem para ultrapassar um momento tão difícil".

"No primeiro resgate do FMI, a sua capacidade de negociação foi única e trouxe Portugal de volta. Uma missão com a qual também me identifico, que também testemunhei", afirmou.

Carlos Moedas destacou ainda outros pontos comuns, com Mário Soares, "que começou a sua primeira campanha presidencial em 1986 com oito por cento das intenções de voto", e também o atual autarca venceu Lisboa de forma inesperada.

"Para Mário Soares não havia impossíveis, acredito que é assim que se deve estar na vida pública: desafiando cada impossível", atirou.

Carlos Moedas venceu sem maioria, e está obrigado a negociar as medidas para a capital com a esquerda. Depois de 30 de janeiro, resta saber qual a posição de António Costa e Rui ​​​​​​​Rio, caso PS e PSD não alcancem a maioria absoluta no final de janeiro.

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