Bloco de Esquerda denuncia "milhares de despedimentos" desde o início da pandemia

Através do site despedimentos.pt, partido recebeu cerca de 800 denúncias que afetam 80 mil trabalhadores de norte a sul do país

Quinze dias depois do lançamento do site despedimentos.pt , o Bloco de Esquerda garante ter recebido cerca de 800 denúncias, a maioria relativa a despedimentos mas também de "todo o tipo de abusos", e que afetam 80 mil trabalhadores.

Esta tarde, em conferência de imprensa, José Soeiro, deputado do Bloco, explicou que cerca de 40% das denúncias referem-se ao distrito de Lisboa e 15% ao do Porto, mas estendem-se de norte a sul do país.

"A maior parte das denúncias recebidas diz respeito, em primeiro lugar, ao despedimento de trabalhadores precários, em segundo lugar ao despedimento de trabalhadores efetivos, através de um mútuo acordo que é forçado e em terceiro lugar a formas de imputar os custos da paragem das empresas aos trabalhadores", impondo, por exemplo, "férias forçadas".

José Soeiro refere ainda que, além destes casos, há trabalhadores impedidos de recorrer ao teletrabalho e a denunciar falta de condições de segurança e saúde no exercício da atividade.

No caso dos despedimentos, o deputado do Bloco de Esquerda salienta que "a primeira estratégia" dos empregadores foi "despedir os trabalhadores precários".

"Os trabalhadores em período experimental foram os primeiros a ser descartados", acusa José Soeiro, denunciando que foi o que aconteceu "na TAP, na Altice, na Zara, na Lacoste, na Fnac e na Endemol, por exemplo".

"Uma segunda forma que as empresas acionaram imediatamente para descartarem os trabalhadores precários foi fazerem caducar os contratos a prazo", descreve o deputado, que considera os contratos a prazo "uma antecâmara do desemprego".

Trabalhadores a prazo que, acrescenta José Soeiro, foram colocados na rua sem ter acesso ao subsídio de desemprego, muitos dos quais estavam em empresas "que cessaram contratos e entretanto pediram para entrar em lay-off, como é o caso da TAP, que cessou com mais de 100 trabalhadores".

Pelas contas do Bloco de Esquerda, além destes casos há os dos trabalhadores em outsourcing, os recibos verdes e os despedimentos de trabalhadores efetivos que, nas palavras de José Soeiro, são chantageados para abandonar os postos de trabalho.

O deputado insiste por isso numa das reivindicações do momento do Bloco.

"Os apoios dados às empresas devem ter como condição não apenas a proibição de despedimentos, mas também que se retome a vigência dos contratos que foram cessados", propõe José Soeiro, lembrando que esta quarta-feira o Parlamento vai votar uma norma proposta pelo Bloco de Esquerda que vai nesse sentido. Uma medida a que o Bloco de Esquerda junta a reivindicação do reforço do número de inspetores da Autoridade para as Condições do Trabalho.

O Bloco argumenta que "há uma sensação de grande impunidade por parte dos trabalhadores". José Soeiro reconhece que as empresas "precisam de ser apoiadas, nomeadamente as pequenas e médias empresas", mas apela a que "haja decência e respeito pela lei".

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