BE avisa: Só haverá acordo para o OE2021 se este for "transformador da vida das pessoas"

As reuniões têm sido diárias mas ainda sem acordo: "O Governo resvalou de uma posição dialogante para um anúncio de crise política" diz Pedro Filipe Soares à TSF que prefere um "acordo alargado" que inclua o PCP.

Instado pelo Governo do PS a dar o aval ao Orçamento de Estado, o Bloco de Esquerda acusa o executivo de "utilizar a praça pública para fazer pressão negocial" em vez de "dar respostas concretas" nas reuniões que tem mantido "dia sim, dia sim" com a esquerda.

"O Governo resvalou de uma posição dialogante para uma posição de anúncio de crise política ", denuncia o líder parlamentar do Bloco Pedro Filipe Soares.

Enquanto avisa que só haverá acordo com o Governo se este for um acordo "transformador da vida das pessoas", Pedro Filipe Soares, "sublinha que "o diabo está nos detalhes" e "falta dar corpo e músculo" às medidas.

No caso do novo apoio da cidadania, por exemplo, o BE afirma não ter ainda resposta concreta do Governo sobre o alcance da medida, o universo e as condições para aceder.

Pedro Filipe Soares negociou cinco orçamentos de Estado e mais um suplementar e acredita que este processo está a ser mais difícil não por "falta de conhecimento", mas "por falta de vontade".

O líder parlamentar do BE defende que, no contexto de pandemia e de crise económica, "faz menos sentido agora que se protelem soluções que são inevitáveis".

Para Pedro Filipe Soares, "cortar nos rendimentos não ajuda na economia", mas, apesar de essa posição ser partilhada pelo executivo de Costa, o Bloco considera que "não há certezas do Governo sobre como quer dar esses passos".

O BE avisa, por isso, que só haverá acordo entre o Governo e o partido para o OE2021 se este for "um acordo transformador da vida das pessoas".

Novo Banco: injeção nem da banca

Questionado sobre a proposta do primeiro-ministro, noticiada pelo Expresso, para que seja a Banca e não o Orçamento de Estado a fazer a nova transferência para o Fundo de Resolução, Pedro Filipe Soares mantém a recusa:

"Ninguém compreende que não havendo esclarecimento cabal se coloque qualquer cêntimo que seja no Novo Banco, porque se os bancos devem pagar alguma coisa, é o dinheiro que o Estado já colocou no Fundo de Resolução. Antes de pagarem ao Novo Banco, devem pagar a Estado", defende o líder parlamentar bloquista considerando que "a proposta falha no essencial: o negócio foi ruinoso e está ainda a ser ruinoso por dúvidas colocadas na praça pública por negócios que ninguém compreende como foram feitos".

Pedro Filipe Soares reitera a importância de uma nova auditoria ao Novo Banco que não seja feita "pelos do costume".

"A nossa pretensão é preventiva", adianta, explicando que o objetivo é evitar injeções no Novo Banco antes do resultado dessa auditoria.

O Bloco de Esquerda acredita que insistir no "negócio ruinoso" do Novo Banco "é dar o benefício a quem tem dado cabo do país".

Quanto à possibilidade de o PSD apoiar o BE nesta questão do Novo Banco, Pedro Filipe Soares sublinha que os sociais-democratas serão agora submetidos ao "teste da coerência", uma vez que "o PSD tem às vezes dito uma coisa e feito o contrário"

"Há aqui dois pesos e duas medidas consoante os dias", ou seja, "um dia estão do lado de quem quer esclarecer, do outro lado votaram contra a publicitação" do resultado da auditoria.

Candidatura à liderança?"Estamos bem como estamos agora"

Já questionado sobre se pondera voltar a candidatar-se à liderança do Bloco de Esquerda como aconteceu em 2014, Pedro Filipe Soares elogia o mandato de Catarina Martins.

"Estamos bem como estamos agora", responde, adiantando que, no próximo fim de semana será marcada a data da próxima convenção do BE que deverá decorrer no primeiro semestre de 2021.

"Não há nenhum motivo para que ela (Catarina Martins) deixe de estar na posição em que está. Temos trabalhado bem em conjunto e temo-nos afirmado como a terceira força política do país e isso é positivo", responde.

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