Câmara de Lisboa também partilhou dados com embaixadas de Israel, China e Venezuela

Comité de Solidariedade com a Palestina organizou manifestação junto do Coliseu dos Recreios e viu o e-mail da embaixada de Israel ser incluído no processo. Protestou e foi informado de que o mesmo já tinha acontecido com as embaixadas da China e Venezuela noutras ocasiões.

A Câmara Municipal de Lisboa partilhou com a embaixada de Israel, em 2019, dados relativos a uma ação pró-Palestina em Portugal, já depois de ter avisado a embaixada da China de uma manifestação de dissidentes tibetanos e de ter também partilhado outros dados com a embaixada da Venezuela em Lisboa.

A denúncia é do Comité de Solidariedade com a Palestina que explica que, em junho desse mesmo ano, deu entrada nos serviços da autarquia com um pedido para realizar um protesto junto do Coliseu dos Recreios, durante o concerto do cantor brasileiro Milton Nascimento, com a intenção de tentar que o músico não tocasse em Telavive, algo que os manifestantes consideravam legitimar o regime de apartheid de Israel.

"Avisámos a câmara de que iríamos fazê-lo", explica Elsa Sertório, que assinou o e-mail enviado à câmara e cujos dados pessoais constavam do mesmo. Na resposta, a autarquia incluiu o endereço eletrónico da embaixada de Israel, algo que o comité estranhou.

Perante o protesto e o pedido de esclarecimento dos ativistas, o gabinete de Fernando Medina explicou que "avisar as embaixadas dos países" era um "procedimento totalmente habitual" e apresentou ainda outros exemplos.

"Tinham avisado a embaixada da China quando houve um protesto de dissidentes tibetanos e deram-nos ainda o exemplo da Venezuela", assinala a ativista, que realça que na China "há pena de morte".

O comité chegou a enviar um comunicado à imprensa, a partir do qual apenas "a RTP e o jornal Sol fizeram artigos, mas o caso ficou por aí, ninguém se revoltou contra a notícia".

Elsa Sertório assinala que esta foi "a primeira vez" que o comité se apercebeu de um episódio como este.

"Antigamente avisávamos o Governo Civil e isto nunca tinha acontecido, depois passámos a avisar a câmara e, mesmo antes dessa concentração, já a tínhamos avisado de outras concentrações, mas isto nunca tinha acontecido", reconhece a responsável que, ainda assim, diz não saber se a autarquia enviou quaisquer informações anteriores para a embaixada de Israel.

Os participantes não sentiram nenhuma consequência "prática", mas sabem, através de uma notícia publicada no jornal Haaretz, que "a Mossad - os serviços secretos israelitas - já tinham uma base de dados de pessoas que se manifestavam a favor do boicote" a Israel.

A TSF tentou ouvir o autor do e-mail da câmara que foi enviado ao comité, mas não obteve resposta.

Esta noite, em entrevista à RTP, Fernando Medina anunciou que a câmara de Lisboa está a fazer um levantamento de "hipotéticas situações" do passado, semelhantes à que levou à divulgação de dados de ativistas russos que se manifestaram contra o regime de Putin.

O autarca explicou ainda que, nesse episódio a embaixada foi informada através de um "procedimento burocrático", em que são informados PSP, MAI e a entidade responsável pelo local que era, no caso, a embaixada da Rússia em Portugal.

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