Câmara de Mação diz que declarações de António Costa "não foram corretas"

O primeiro-ministro sublinhou na segunda-feira que os autarcas são os "primeiros responsáveis pela proteção civil em cada concelho", ao responder a críticas como a do vice-presidente da câmara de Vila de Rei sobre a prevenção dos incêndios.

O vice-presidente da Câmara de Mação disse à agência Lusa que as declarações do primeiro-ministro sobre a responsabilidade dos autarcas pela proteção civil "não foram corretas" e garantiu esperar que a leitura feita dessas palavras seja corrigida.

"Essas intervenções do senhor primeiro-ministro, naquele momento em específico e da forma como foram feitas, não foram corretas, digamos assim. No entanto, eu acho que o senhor primeiro-ministro é uma pessoa com quem eu partilho inteiramente aquele que é o pensamento de fundo sobre a floresta portuguesa que, na prática, é tudo aquilo que eu tenho vindo a dizer nos últimos anos, desde 2006", disse o vice-presidente da Câmara Municipal de Mação, António Louro.

O primeiro-ministro sublinhou na segunda-feira que os autarcas são os "primeiros responsáveis pela proteção civil em cada concelho", ao responder a críticas como a do vice-presidente da câmara de Vila de Rei sobre a prevenção dos incêndios.

"Eu não faço comentário enquanto os incêndios e as operações estão a decorrer e, sobretudo, não digo aos que são os primeiros responsáveis pela proteção civil em cada concelho, que são os autarcas, o que é que devem fazer para prevenir, através da boa gestão do seu território, os riscos de incêndio", disse António Costa aos jornalistas.

O vice-presidente do município de Mação, que também é responsável pela proteção civil, referiu à Lusa que "o problema da floresta e dos incêndios é estrutural, tem a ver com a desagregação do tecido humano do interior, tem a ver com uma paisagem completamente insustentável que se foi criando lentamente".

"O senhor primeiro-ministro é das pessoas mais bem preparadas em Portugal para perceber este processo. Vem de desempenhar o cargo de ministro da Administração Interna, sabe que não há nenhuma solução para o problema dos incêndios nessa área", acrescentou.

Na opinião de António Louro, "a solução é estrutural, tem que ser feita com o ordenamento, tem que ser feita com a gestão, tem que ser feita com uma nova forma de encarar os territórios do interior".

"E, portanto [António Costa], ao fazer aquela intervenção, foi um momento menos feliz, quando o país precisa do senhor primeiro-ministro, que é uma pessoa que está preparada, e sabe o que é que há a fazer. Agora, temos é que passar das palavras aos atos", sublinhou.

O responsável diz ter "a certeza" que o primeiro-ministro "rapidamente irá corrigir a leitura que erradamente se possa, porventura, fazer dessas palavras, porque aquilo que ele queria dizer não é, com certeza, que somos nós os responsáveis por tudo isto".

Às 11h00 desta terça-feira, o incêndio que começou no sábado em Vila de Rei e que alastrou a Mação, estava dominado, sem frentes ativas, e o sistema operacional estava "empenhado em ações de vigilância", nos locais de maior risco para a ocorrência de reacendimentos, de acordo com António Louro.

"Estamos a viver horas de espera. [Estamos] à espera que os mais de 55 quilómetros de perímetro que o incêndio tem arrefeçam e deixem de continuar a ter reacendimentos. Estamos, naturalmente, expectantes, preocupados, porque o perímetro é muito grande, há ainda alguns pontos quentes e estão previstas para hoje novamente condições climatéricas complexas, com altas temperaturas, com vento, que são propícias à ocorrência de novos reacendimentos", disse o autarca.

Pelas contas do vice-presidente da autarquia de Mação, naquele concelho do distrito de Santarém a área ardida "andará à volta dos 5.500 hectares".

O responsável reafirmou que as chamas destruíram duas casas de primeira habitação e duas pessoas ficaram desalojadas. Ardeu uma habitação que estava isolada no meio da floresta, propriedade de um homem de nacionalidade alemã, e outra na aldeia de Roda, onde vivia um homem com 91 anos, precisou António Louro.

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