Canadair inoperacionais? "Há risco de avaria em tudo" e "não basta ir ao stand" comprar novos

António Costa admite uma "menor disponibilidade de partilha de meios" no que toca ao mecanismo europeu de combate a incêndios e sublinha que este mecanismo "ainda não tem meios próprios".

O primeiro-ministro admitiu, esta sexta-feira, que o incêndio que lavra há sete dias consecutivos na Serra da Estrela é "particularmente dramático", sublinhando que este ano tem sido marcado por um cenário de seca extrema e temperaturas muito elevadas. António Costa referiu que a resposta dos serviços da Proteção Civil tem sido positiva e, no caso específico do incêndio da Serra da Estrela, admitiu que, no final, quando o fogo estiver extinto, será a altura certa para analisar o que aconteceu.

"Quando ele terminar merece ser estudado em pormenor para saber o que foi acontecendo ao longo do tempo", afirmou em declarações aos jornalistas à margem de uma visita a uma creche da Amadora.

Questionado sobre o porquê de outros países não estarem a ajudar Portugal a combater o incêndio na Serra da Estrela, Costa disse que o mecanismo europeu de combate aos fogos "tem estado pouco disponível" para ajudar, mas "não precisa de nova revisão".

"Ao contrário do que acontecia quando os incêndios eram maioritariamente no Sul da Europa, infelizmente temos tido uma realidade em que se tem vindo a alargar", assinalou, dando o exemplo dos fogos na Alemanha.

Costa avançou ainda que esta quinta-feira foi disponibilizada uma aeronave espanhola para ajuda no combate aos incêndios em Portugal. "As restantes que a Espanha tinha disponíveis estão empenhadas, através do mecanismo europeu, num incêndio em França."

"Há uma menor disponibilidade de partilha de meios e o mecanismo europeu não tem ainda meios próprios", adiantou, sublinhando que "não há novos aparelhos", referindo-se às aeronaves Canadair, que recentemente estiveram inoperacionais em Portugal.

"Toda a gente sabe que o Canadair é o meio aéreo de asa fixa mais eficaz e que tem a grande vantagem de se adaptar bem às bacias que temos nas várias barragens", relembra o chefe de Governo, frisando que "há um problema prático": "Os Canadair que existem no mundo inteiro já têm muita idade e quanto mais idade têm, maior é o risco de avaria." "Há riscos de avaria em tudo", constata.

O primeiro-ministro diz que a produção destas aeronaves foi descontinuada e, "infelizmente, leva anos, não é como ir ao stand de automóveis". Costa refere que estão a ser produzidos novos Canadair e a previsão é que sejam disponibilizados a partir de 2024.

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