Candidatos à liderança do PSD tiram dia para ataque a Costa

Luís Montenegro e Jorge Moreira da Silva estiveram em iniciativa dos Trabalhadores Social-Democratas (TSD) na caça ao voto, mas não se atacaram um ao outro: ambos escolheram criticar o Governo.

A questão não está centrada em "porque é que eu sou melhor do que o outro para liderar o PSD", mas parece estar em "porque é que eu mereço ser alternativa a António Costa". Pelo menos, foi essa a tónica das intervenções dos dois candidatos à liderança do PSD no conselho nacional dos TSD deste sábado, em Lisboa.

Não se ouviram um ao outro, de resto mal se viram, até porque tempo haverá para o debate cara a cara. O primeiro a falar foi Luís Montenegro e, desde logo, com um tema do momento: a inflação. No caso, Montenegro acusa o governo de estar "a assobiar para o ar" e de não estar "a ter sensibilidade social para olhar para este drama que já está a chegar à vida quotidiana dos portugueses".

Mais: Montenegro questiona o que é que o Executivo vai fazer com a "folga orçamental" gerada pela inflação. "Tem de dizer ao país o que vai fazer com ela e deve fazer já, deve antecipar o problema agora", defendendo a criação de um programa de emergência social.

Tal programa não está já previsto, diz Montenegro, devido a uma "insensibilidade social" do Partido Socialista e do primeiro-ministro. "Não sei se ele anda deslumbrado com as reuniões do Conselho Europeu e com os seus homólogos da Europa, se anda distraído com questões e asneiras que vamos sabendo como esta que está à vista de todos com a lei dos metadados", atira o antigo líder da bancada do PSD que diz ter consciência de que a imagem do PSD ainda está muito associada à crise financeira, reconhecendo até que não foi pelo programa eleitoral que o partido perdeu as eleições porque esse era um programa bom para o país.

Mais de meia hora de intervenção depois, Montenegro segue estrada fora, vem Moreira da Silva para se apresentar. Desde logo, com um diagnóstico sobre a política nacional: "sonambulismo e algum entorpecimento que se assiste na política portuguesa, corremos atrás da última crise que aparece, da última notícia, surfar a onda... não é aceitável!"

Vai daí que o candidato à liderança insiste que os números são importantes e que as metas são para cumprir, desde logo, as do desenvolvimento sustentável com Moreira da Silva a querer escalar no ranking e equiparar Portugal aos países do norte da Europa.

Com um grande foco na agenda ambiental, o candidato também não perde a oportunidade de puxar dos galões de ter liderado a reforma da fiscalidade verde para acusar o governo de violar uma norma da lei que daí resultou.

"O governo tem mil milhões de euros que são nossos, que são vossos e que têm de ser devolvidos. Aquilo que de forma grosseira foi feito pelo governo nos últimos seis anos, que foi violar o artigo 50 da reforma da fiscalidade verde, traduz-se num embuste e numa falta de respeito para com os trabalhadores portugueses", afirma o antigo ministro do Ambiente lembrando a lei que prevê que "a evolução da receita alcançada" deve permitir baixar impostos como o IRS, IRC ou aumentar os benefícios fiscais em projetos de eficiência energética.

À semelhança do oponente, Moreira da Silva fala para os militantes como se o fizesse para o país e afirma querer chegar à cadeira de primeiro-ministro não por demérito socialista, mas por mérito próprio e do PSD.

Mas antes de pensarem em São Bento, tanto um como outro precisam de chegar à São Caetano à Lapa e, por isso, seguem estrada fora na campanha interna. No caso, Montenegro a sul e Moreira da Silva a centro.

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