Carlos Brito "surpreendido" com saída de Jerónimo. Sucessor Paulo Raimundo é "figura apagada"

O histórico comunista afirma que Paulo Raimundo "é uma figura virada para a organização interna" do partido. Para Carlos Brito, o "contacto com o país não pode ser subestimado" e "não é uma figura apagada que o vai conseguir fazer".

Carlos Brito, histórico comunista, confessa ter ficado surpreendido com a saída de Jerónimo de Sousa do cargo de secretário-geral do PCP.

"Para mim foi uma surpresa. Primeiro, porque as últimas entrevistas do Jerónimo acerca desta questão da sucessão não pareciam indicar uma saída para tão breve. E também porque o Jerónimo continuou a ser o quadro que tomava a palavra para definir as grandes posições do partido sobre os problemas nacionais e até sobre os problemas da vida política corrente. Não aparecia nenhuma outra figura a contrabalançar o Jerónimo como aconteceu noutros períodos", referiu Carlos Brito em declarações à TSF.

Sobre a escolha de Paulo Raimundo para substituir Jerónimo de Sousa, Carlos Brito levanta algumas reticências.

"É uma figura virada para o trabalho, a organização interna que é muito importante, mas o partido tem que ter uma projeção para fora. É aí que ganha as massas, é aí que ganha os trabalhadores, é aí que ganha a opinião pública. O trabalho e a organização são importantes, mas não pode ser subestimado este outro lado do trabalho partidário, este contacto com o país. Não é uma figura apagada que o vai conseguir fazer", afirmou.

O PCP anunciou na noite de sábado que o secretário-geral, Jerónimo de Sousa, vai deixar o cargo depois de uma reflexão sobre a sua saúde. Paulo Raimundo, de 46 anos, vai ser o sucessor de Jerónimo de Sousa, que estava na liderança do partido há 18 anos.

O secretário-geral cessante tinha mandato até 2024 e vai ser substituído por um dos poucos dirigentes que faz parte dos órgãos mais restritos do partido - a Comissão Política e o Secretariado. Paulo Raimundo é uma figura proeminente para as bases comunistas, mas desconhecida na esfera mediática.

Este domingo em conferência de imprensa, Jerónimo de Sousa adiantou que "não vai continuar" como deputado do PCP, justificando a decisão com "uma alteração qualitativa" das suas capacidades.

Ao fim de 18 anos, o PCP vai ter um novo nome na liderança. O escolhido é Paulo Raimundo, que entrou para o partido em 1994, e pertenceu à comissão política de Carlos Carvalhas.

O partido explica que Paulo Raimundo "é de uma geração mais jovem, com uma experiência diversificada" e está "preparado para uma responsabilidade que associa dimensão pública à ligação" partidária.

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