A coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins
bloco de esquerda

Catarina Martins ao ataque a Costa e a Rio depois do reforço da oposição interna

Nova Comissão Política do Bloco de Esquerda já foi nomeada e conta com um reforço da oposição interna: em 16 pessoas 5 são de moções opostas à de Catarina Martins. Na resolução política, farpas a Costa e a Rio em dois dossiers quentes: lei laboral e Novo Banco.

Está nomeada a nova Comissão Política do Bloco de Esquerda para o mandato que vai até 2023 e com um reforço das vozes críticas ao projeto liderado por Catarina Martins: há agora 5 membros de moções alternativas contra os 2 que existiam no mandato anterior. Mas se há mexidas na direção, não há mexidas nos alvos dos ataques de Catarina Martins: António Costa e Rui Rio.

Começando pelo primeiro-ministro, Catarina Martins tomou boa nota da moção que Costa vai apresentar ao congresso do PS onde se prevê abertura para mudanças na lei laboral, tal é considerado no Bloco como uma "boa notícia", mas há sempre um "mas". "Lendo o resto da moção, registamos que não há nenhuma novidade no Partido Socialista", destaca Catarina Martins.

Depois de lida a moção de Costa, a coordenadora do BE nota que as propostas são insuficientes porque visam dar "direitos de proteção social aos trabalhadores das plataformas, mas sem exigir responsabilidade às plataformas" e a criação de um "mecanismo para tornar em microempresários aqueles que são estafetas". "Trabalhador e sua bicicleta passam a ser empresa, o que é inaceitável", vinca.

Por isso, lembra Catarina Martins o caderno de encargos do BE: necessidade imperativa de se mexer na lei laboral com a regulação de novas formas de precariedade, os abusos no teletrabalho, as matérias de proteção dos trabalhadores por turnos e, claro, retirar a troika da lei do trabalho (repor pagamento das horas extraordinárias, dias de férias, compensação por despedimento e medidas que enfraqueceram a contração coletiva).

E lei laboral não é o Orçamento do Estado, mas para sentar à mesa para negociar um, também tem de se negociar o outro. "O efeito de um OE no combate à crise precisa também de alterações da legislação laboral. Elas podem ser feitas na mesma lei ou noutra, mas têm de ser feitas no mesmo tempo e no mesmo acordo", conclui notando que é o partido dirige para aqui "todo o esforço negocial".

Novo Banco? PSD com posição "insustentável"

Se o trabalho é uma bandeira-chave do partido, o Novo Banco não lhe fica atrás. Ainda fresco na memória está o projeto de resolução do Bloco para que o governo "cumprisse a determinação do parlamento de que fosse enviada para discussão e votação qualquer decisão de injeção de capital".

O projeto foi chumbado e, para isso, foi fundamental a abstenção do PSD que, na discussão do OE2021, foi bastante vocal contra injeções no Novo Banco sem serem conhecidos os resultados da auditoria às contas do banco e sem uma palavra do parlamento.

Ora, Catarina Martins não poupa nas críticas ao líder do PSD lembrando que "Rui Rio dizia que uma nova injeção obrigaria a um orçamento retificativo". "O PSD não consegue explicar a sua posição porque a sua posição é inexplicável. Como é que Rui Rio num dia diz que não é possível fazer nenhuma injeção sem um orçamento retificativo e a sua bancada vota para dar conforto ao governo quando o governo quer fazer uma injeção sem esse orçamento retificativo? É uma posição insustentável".

E, neste capítulo, Catarina Martins também não perde a oportunidade para se dirigir ao PS. "A decisão de autorizar uma injeção do Fundo de Resolução no Novo Banco é uma decisão que responsabiliza diretamente o PS e que só a faz com o apoio tácito do PSD", destaca a coordenadora do partido considerando ainda que essa injeção é "grave e ilegítima".

Ataques nos mesmos temas de sempre com uma comissão política renovada e que foi aprovada por 89% dos membros da Mesa Nacional. No órgão de direção agora nomeado, destaque para a entrada de Ana Sofia Ligeiro, Bruno Candeias e do histórico Mário Tomé, da moção E, aos quais se juntam de outras moções os dirigentes Miguel Oliveira e Luísa Santos.

Além destes, fazem parte da Comissão Política do partido até 2023, Catarina Martins, Fabian Figueiredo, Isabel Pires, Joana Mortágua, Jorge Costa, José Soeiro, Leonor Rosas, Marco Mendonça, Mariana Mortágua, Marisa Matias e Pedro Filipe Soares.

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